segunda-feira, 2 de julho de 2012

Poe e a Perversidade Humana


 Prestes a completar 170 anos de sua publicação, o conto O Gato Preto, um dos mais célebres do escritor americano Edgar Allan Poe, ainda dá margem a múltiplas interpretações e reflexões. A história é considerada um estudo da psicologia da culpa, em que o personagem principal se atormenta pelos seus atos do passado, enquanto se apresenta e conta sua história de vida, sem poupar detalhes e sem tentar se eximir da responsabilidade pelos seus atos, apesar de justificá-los pela existência de uma força maléfica interior inerente à raça-humana. Em vezes escondida pela denominação de Espírito ou Demônio da Perversidade – como no conto de Poe de mesmo nome, também permeado pela culpa de um segredo macabro – mas também uma força oculta e irreprimível que traz a tona o que os homens têm de pior, uma maldade escondida sob as camadas de civilidade, além do que é consciente e psíquico. Uma qualidade perversa sobre a qual não temos conhecimento, nem controle e que pode de uma hora para outra transformar uma pessoas simples e pragmática em um criminoso sórdido. Uma idéia insidiosa e pérfida que leva a um ato desumano. De certa maneira é fácil entender o que este personagem quer nos dizer com isso, pois assistimos estáticos todos os dias nos noticiários e lemos nas páginas dos jornais sobre pessoas que cometem atos que não conseguimos entender. Requintes de crueldade, por vezes acompanhados de um lapso de culpa que não se sabe dizer de onde vem. Segundo a teoria de Poe no conto, este Demônio da Perversidade dorme incubado em todas as pessoas, esperando apenas um momento propício para se revelar, e este pode ser libertado através de um ímpeto inexplicável, mas também de muitos meios, entre eles a bebida, grande companhia e tormento da vida de Poe e personagem presente em suas narrativas. Paralelos com a vida real, fora da literatura não são difíceis de formar. Quantas vezes pequenas maldades cometidas quase inocentemente vão se acumulando dentro de uma pessoa, gerando uma insatisfação e um ódio que não se explica e que em algum momento acaba explodindo e causando uma tragédia? Como diria Hamlet em seu mais famoso solilóquio: “quem suportaria o açoite e os insultos do mundo, a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso, as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei, a prepotência do governante e o achincalhe que o homem paciente e dedicado recebe dos inúteis”, no que o trágico príncipe de Shakespeare descreve como uma vida servil, todos nós devemos agüentar uma cota de arrogância e petulância alheias. E este acúmulo de desprazimentos terminará por ser o elemento deflagrador dos acontecimentos desagradáveis que venham a seguir. O conceito nos é familiar apesar da estranheza que possa nos causar aceitar o fato concreto de que somos maus, não importando a educação e respeito que tenhamos pelos outros seres humanos, ou o amor desmedido que dispensamos a família e animais, bem como o personagem principal do conto de Edgar Allan Poe. É no mínimo custoso acreditar que nós, pessoas civilizadas, que vivem em sociedade, com cultura e refinamento e respeitamos a lei e demais instituições da vida em comunidade, somos realmente maldosos e em algum momento capazes de realmente cometer um crime hediondo. Mas será mesmo tão difícil? São inúmeros casos que nos vem à memória e que provam que o Espírito da Perversidade é bem real, e que apenas à maioria das pessoas falta aquele estopim que vai permiti-las cometer um crime, apesar de todos sermos muito capazes de pequenas perversidades diárias, como fazer piadas e brincadeiras cruéis e sádicas embora tais possam causar danos a outros. Os temas obscuros característicos da obra do autor se encontram de forma mais evidente em O Gato Preto. Assim como o personagem principal de O Coração Delator, nosso protagonista de esvai em arrependimento pelo que fez e passa a culpar eventos externos como indícios de que o que fez foi errado. Afinal é mais fácil culpar um animal irracional, como um gato, do que compreender e aceitar a si mesmo como a força causadora de seus acessos de raiva, e por fim de seu crime. A neurose leva sua mente inquieta a lugares inimagináveis, onde alucinações exacerbadas acompanham o leitor em um mergulho pela mente do próprio Poe, e apesar do realismo inserido nesta verdade, o fatalismo e crueldade da história são uma ficção psicológica sombria. A perspectiva de um crime tétrico e medonho como todos os presentes nas obras de Edgar Allan Poe estão bem mais distantes da nossa realidade do que as pequenas maldades cotidianas que todos cometemos e suportamos. Este sim é o demônio da perversidade capaz de transtornar a lógica da natureza humana, nós mesmos, e nossa capacidade oculta e arrefecida para o mal.
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Release O Inverno das Fadas


Livro: O Inverno das Fadas
Autora: Carolina Munhóz
Editora: Casa da Palavra
 
Sophia Coldheart não é uma fada comum. Ela é uma Leanan Sídhe, uma espécie de fada que serve de musa para humanos talentosos alcançarem o sucesso. Uma fada-amante. Mas isso tem um preço. Ao mesmo tempo em que os leva ao estrelato, se alimenta de suas energias, levando-os à loucura. E à morte. Uma vida intensa e extraordinária com um fim trágico.
Mas o que aconteceria se um humano resistisse à sua sedução e fizesse a própria Sophia sentir-se fascinada por ele? A autora Carolina Munhóz nos conta essa história com primazia, mostrando que o mundo da fantasia para jovens ainda pode render sucessos e obras que vão muito além do simples passar de tempo.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Promoção Um Mundo Brilhante [ENCERRADA]

Desta vez o sorteio será do livro Um Mundo Brilhante, da  Tammy Grenwood (resenha aqui). A promoção é em parceria com a Editora Novo Conceito e começa hoje e termina dia 12 de Julho. Para participar é só seguir as regrinhas de sempre:

REGRINHAS (OBRIGATÓRIAS)
- Seguir o blog publicamente (é só ter e-mail gmail, hotmail, yahoo ou Twitter);
- Ter um endereço de entrega no Brasil;
- Preencher corretamente o formulário. 


CHANCES EXTRAS
- Seguir o Twitter @Paola Severo (preencha + uma vez o formulário);
- Seguir o Twitter @editoraarqueiro (preencha + uma vez);
- Comentar a resenha do livro (preencha + uma vez);
- Curtir a Página do Uma Leitora no facebook (preencha + uma vez);
- Postar o banner da promoção na barra lateral do seu blog (preencha + 5 vezes);
- Tweet apenas uma vez por dia (para não virar SPAM) com a frase (+ uma vez a cada tweet):

#PROMOÇÃO Sorteio do livro Um Mundo Brilhante da @Novo_Conceito no Uma Leitora http://migre.me/9F3OQ
O sorteio será feito pelo random.org e o vencedor contatado por e-mail, o qual terá 48 horas para responder com seus dados ou um novo sorteio será feito. O envio deste livro será por minha conta. Boa sorte!

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Um Mundo Brilhante

de Tammy Greenwood (Editora Novo Conceito)

Em uma pacata cidade americana, o professor Ben Bailey vai buscar seu jornal no quintal depois da primeira noite de neve e encontra um homem em sua calçada. O  jovem indígena, morre na sua frente, e Ben decide investigar o que aconteceu, e depois de conhecer a irmã do rapaz passa a ter certeza de que foi um crime motivado por ódio racial.
Enquanto a sua investigação avança, Ben começa a questionar não apenas os valores da sociedade em que vive, mas sua vida como um todo e as decisões que tomou e que o levaram ao lugar onde se encontra, até mesmo seu relacionamento com a noiva é abalado por suas incertezas.
Um Mundo Brilhante é o tipo de livro que te conquista aos poucos, a história vai avançando e a cada página você se envolve, e também quer saber, e também questiona. Eu esperava uma história bem diferente. Bem menos real, talvez. Estamos tão acostumados à literatura de ficção que um livro tão realista no sentido de pensamentos e ações, dúvidas tão humanas é capaz de prender nossa total atenção. Um livro muito bom, pela história e pelo realismo.
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Parceria + Entrevista com a autora Jane Ghisleri

Bom dia! Hoje vou apresentar para vocês a mais nova autora parceira do blog. Janice Ghisleri é autora de Entre o Amor e a Fé, e Paixões no Oeste, volume 1 e volume 2. Nesta entrevista exclusiva ela fala um pouco sobre sua carreira.

1. Quem é Janice?
R: Sou catarinense, 41 anos, solteira. Sou uma romântica inveterada que adora livros e filmes. 

2. Sempre quis ser escritora? Já teve/tem outras profissões?
R: Sim, desde nova eu amo ler e gostava de escrever poesias, sempre pensei que um dia queria escrever um romance. Mas na realidade nunca cheguei a imaginar que isso se tornaria realidade até ter meu primeiro livro publicado.
Sou Bacharel em Moda e pós-graduada em Comunicação e Artes Visuais. Dei aulas e cursos na área por muitos anos. Agora tenho uma marca de bolsas com conceito ecológico, chamada EcoJane.

3. De onde vem a inspiração para seus romances?
R: Escrevo sobre assuntos que gosto. Sou fã de épicos, portanto acho que todos que eu escrever terão alguma característica disso. No caso dos livros que já escrevi há pitadas de magia, templários, culturas antigas. Gosto muito de descrever objetos, lugares e roupas de épocas passadas. E claro uma de minhas paixões também é o velho Oeste.
Começar a escrever romances surgiu das fanfictions, onde comecei a escrever em um fórum de fã clube, então minha inspiração principal são meus ídolos, temas musicais e a história. E claro, adoro romances e relacionamentos intensos, e para um bom romance ser intenso acredito que precisa de uma boa dose de drama e aventura. Minhas leitoras me acusam de quase fazê-las ter enfartes e roer as unhas rsrsrs. Eu considero isso um elogio, pois é muito bom saber que minhas leitoras acham difícil se desprender dos meus livros. Já tive uma leitora que me escreveu dizendo que estava com olheiras por minha causa. Ela leu Entre o Amor e a Fé de uma vez só, sem parar, pois sempre dizia... mais uma página, só mais uma e só conseguiu parar quando acabou. Bem, acho que não foi fácil já que o livro tem 340 páginas rsrsr. São pequenos detalhes assim que nos faz ter motivação para continuar a escrever.

4. Quais foram as suas dificuldades ao publicar o primeiro livro?
R: Todo o processo de procurar uma editora comercial é desanimador. Acabei publicando em uma editora por demanda. Por um lado foi mais fácil, mas os livros acabam custando caro e existe a dificuldade de um bom marketing e abranger uma quantidade razoável de compradores/leitores.

5. O que diria para alguém que quer ser escritor?
R: Bem, não é um conselho muito promissor, rsrs. Ser escritor no Brasil é um caminho árduo. Não somos valorizados como deveríamos, o que me entristece. Mas para quem ama escrever aconselho que continue e acredite em suas histórias e tente publicá-las. Realmente é um sentimento gratificante ter um livro que você escreveu em suas mãos e ler comentários dos leitores que apreciam seus livros, é prazeroso demais. Sigam em frente e procurem escrever boas histórias, pois precisamos de livros bons. 

 
6. Quais são seus projetos para o futuro? Há novos livros a caminho?
R: Pretendo continuar escrevendo e publicando livros. Isso é como um vício e é um prazer que pretendo continuar tendo. Sim, eu tenho outros livros encaminhados. Estou a término do volume 4 de Paixões no Oeste. Há o projeto do segundo volume de Entre o Amor e a Fé, pois todo mundo que lê o livro pede continuação e realmente ela existe. Tenho ainda um outro projeto que está no meio caminho que ainda não possui um título definido. Mas assim como Entre o Amor e a Fé tem uma linha de épico e vidas passadas. Gosto muito deste tema.

Link para sites da autora: aqui e aqui.
 
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

10 Ilustrações do Gandalf

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Release BUM!


Livro: BUM!
Autor: Mak Haddon
Editora: Galera Record

Quando a irmã de Jimbo diz que ele será transferido para uma escola especial para “crianças com problemas”, aí sim começa o problema. Para saber se isso é mesmo verdade, o melhor amigo de Jimbo, Charlie, tem a brilhante ideia de espionar a sala dos professores. Mas quando eles ouvem dois deles falando em uma língua totalmente diferente o negócio fica complicado. Será que esses dois são ladrões de banco falando em código? Ou espiões? Aliens talvez? O que quer que sejam, Jimbo e seu amigo terão que descobrir.


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Frase sobre Livros

Você sabe quando leu um bom livro quando vira a última página e sente-se quase como se tivesse perdido um amigo.
Paul Sweeney
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