quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Brasileiro lê pouco. Avá, é mesmo?

Opa, ainda não fui clara o suficiente, né?! No dia 08 de Setembro, um tweet me deixou bastante reflexiva:


Peraí, como assim?! É isso mesmo: o brasileiro lê em média quatro livros por ano. Está assustado com essa média?! Então, sente-se porque o quadro não é tão bonito quanto parece.
Primeiramente, o leitor brasileiro representa apenas cerca de 50% da população (53% das mulheres e 43% dos homens). E o que seria um leitor para a pesquisa? Alguém que leu um livro - inteiro ou em partes - nos últimos três meses. Isso mesmo, ler um livro em partes - e vale a Bíblia, um livro didático ou até mesmo uma leitura obrigatória para o vestibular que você diz que leu mas que na verdade só leu o resumão que o CDF da sala fez para a turma - nos últimos três meses já faz você ser considerado leitor. Também, com uma média dessas não dava para esperar algo melhor, né?!
Mas, você pensa, tudo bem. Quatro livros por ano já é uma média bacana se você pensar que todo mundo lê esses quatro livros por ano. Aí você lê as entrelinhas. Para começar, basta ler o livro em partes... e dessa média de 4 livros por ano, apenas 2 são lidos inteiros, o restante é em partes. O que sempre me leva a pensar diretamente em livros religiosos e didáticos. Dos dois livros inteiros que restaram a gente ainda tem que descontar aquela mentirinha básica - ainda mais agora que ler é considerado bacana pela população (é bacana, mas dá preguiça, né?! Melhor esperar sair o filme, daí já pode dizer que leu o livro sem correr grandes riscos).
Aliás, segundo a pesquisa, 64% das pessoas ouvidas acham que "ler bastante pode fazer uma pessoa subir na vida e melhorar sua condição sócioeconômica."
Ok, talvez eu tenha entendido mal. Mas realmente parece que o brasileiro acha que ler é bom e MESMO ASSIM não lê - apesar de ter vários livros a R$ 10 reais - o que, de forma geral, é bem mais barato do que a entrada para o cinema (e pode ser lido por várias pessoas depois, até mesmo revendido no sebo) e até mesmo do que um prato de comida em diversos restaurantes por aí (não que eu esteja falando que você deve deixar de almoçar para ler um livro).
O caso é que desculpas sempre são fáceis de arrumar. Livros são caros - esse parece ser o bordão favorito dos que não leem... acho que eles ainda estão lá nos anos 80 (será que nessa época o livro era realmente caro?) - porque até em bancas de jornais podemos encontrar versões econômicas de clássicos mundiais que saem bem baratas. Outros acusam que ler é difícil, dá sono, demora, cansa... Ou então, vamos ver o filme - que conta a mesma história, muito mais rápido e sem ter que gastar neurônios imaginando as coisas. Prático.

Eu não leio quatro livros por semana - não dá tempo. Mas quase chego lá. Normalmente leio dois livros - INTEIROS - por semana, ou seja, a média nacional de leitura por ano. Eu até queria concordar com a maioria da população, mas isso realmente não é o suficiente para subir na vida. Entretanto, é um hábito super saudável, que pode estimular a imaginação do leitor, sua criatividade e, de quebra, com boas edições, ajudar na gramática e, principalmente, no vocabulário.
Não, não estou julgando quem lê ou deixar de ler. Apenas acho que a média nacional de leitura é baixa demais. Alguém sabe qual é a média de livros lidos anualmente por habitante nos países desenvolvidos? Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Alemanha... Imagino que não seja apenas 4 livros por ano.
Realmente acho que é importante estimular a leitura nos jovens e adolescentes de hoje em dia - mesmo que seja literatura de entretenimento, sempre tiramos algo de bom de um livro. Não que eu esteja dizendo que não dá para tirar coisas boas de filmes - porque também dá (o problema do filme é que ele é pronto demais, fácil demais. Você vai lá - não tem que imaginar nada, já está tudo pronto - e em duas horas já curtiu toda a história e, na maioria das vezes, nem pensa mais nela).
Você se encaixa na média brasileira de livros por ano? Eu não. Leio muitos livros por ano e tenho consciência que sou uma exceção: uma média de 10 livros por mês, o que dá por volta de 120 livros anuais (ok, li mais do que isso ano passo e provavelmente lerei mais do que isso esse ano também... e é por isso que estou chamando de média e não número exato). Ou seja, eu leio por 30 brasileiros O.o Se considerarmos que são apenas 2 livros inteiros por ano, eu leio por 60 brasileiros...
Não acho que ninguém precisa ler tantos livros assim - é claramente um exagero de quem é apaixonado por leitura. Mas tampouco acho que seria tão difícil ler 10 livros por ano - uma média menor do que 1 livro por mês, mas ainda assim muito bacana.
Se você se encontra na faixa de brasileiros que lê tão pouco, aproveite as promoções das bancas, livrarias físicas e online e compre alguns livros do seu gosto. Não precisa ser Proust, Platão, Camões ou Machado de Assis (embora os textos de Machado de Assis sejam super gostosos de ler) - busque histórias dentro do gênero que mais te agrada e aproveite! Gosta de guerras, romance, drama, aventura, ficção-científica ou até mesmo ficção erótica? O mercado está recheado de títulos de todos esses gêneros (e até mesmo histórias que misturam gêneros) e há uma gama enorme de opções. Basta querer.
Certamente, se você começar a ler não vai conseguir mais parar.

Leia o texto original no blog Nanie's World.
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terça-feira, 4 de setembro de 2012

[ENCERRADA] Promoção A Vida em Tons de Cinza




Para comemorar o feriadão em grande estilo com mais uma promoção amiga. Desta vez o sorteio será do livro A Vida em Tons de Cinza da Ruta Sepetys. A promoção é em parceria com a Editora Arqueiro e começa hoje e termina dia 18/09. Para participar é só seguir as regrinhas de sempre:

REGRINHAS (OBRIGATÓRIAS)
- Seguir o blog publicamente (é só ter e-mail gmail, hotmail, yahoo ou Twitter);
- Ter um endereço de entrega no Brasil;
- Preencher corretamente o formulário. 


CHANCES EXTRAS
- Seguir o Twitter @Paola Severo (preencha + uma vez o formulário);
- Seguir o Twitter @editoraarqueiro (preencha + uma vez);
- Comentar a resenha do livro (preencha + uma vez);
- Curtir a Página do Uma Leitora no facebook (preencha + uma vez);
- Postar o banner da promoção na barra lateral do seu blog (preencha + 5 vezes);
- Tweet apenas uma vez por dia (para não virar SPAM) com a frase (+ uma vez a cada tweet):



#PROMOÇÃO Sorteio do livro A Vida em Tons de Cinza da @Editoraarqueiro no Uma Leitora http://migre.me/azRuk


O sorteio será feito pelo random.org e o vencedor contatado por e-mail, o qual terá 48 horas para responder com seus dados ou um novo sorteio será feito. O envio deste livro será por conta da editora. Boa sorte!
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[ENCERRADA] Promoção Um Homem de Sorte



Começando hoje uma promoção muito esperada, desta vez em parceria com a editora Novo Conceito, do Livro Um Homem de Sorte, do Nicholas Sparks. Para participar é só seguir as regrinhas que você já conhece, tudo muito simples:

REGRINHAS (OBRIGATÓRIAS) 
- Seguir o blog publicamente (é só ter e-mail gmail, hotmail, yahoo ou Twitter); 
- Ter um endereço de entrega no Brasil; 
- Preencher corretamente o formulário. 


CHANCES EXTRAS 
- Seguir o Twitter @Paola Severo (preencha + uma vez o formulário); 
- Seguir o Twitter @novo_conceito (preencha + uma vez); 
- Comentar a resenha do livro (preencha + uma vez); 
- Curtir a Página do Uma Leitora no facebook (preencha + uma vez); 
- Postar o banner da promoção na barra lateral do seu blog (preencha + 5 vezes); 
- Tweet apenas uma vez por dia (para não virar SPAM) com a frase (+ uma vez a cada tweet): 

#PROMOÇÃO Sorteio do livro Um Homem de Sorte da @Novo_Conceito no Uma Leitora http://migre.me/azPot

O sorteio será feito pelo random.org e o vencedor contatado por e-mail, o qual terá 48 horas para responder com seus dados ou um novo sorteio será feito. O envio deste livro será por minha conta. Boa sorte
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Dias de Chuva e Tempestade

de Nancy Pickard (Editora Arqueiro)

Jody Linder viveu todos os anos de sua juventude atormentada por um crime que abalou não somente sua existência e a vida de sua família, mas toda a comunidade de Rose, uma cidadezinha do estado americano do Kansas. Seu pai Hugh-Jay foi assassinado dentro de casa e sua mãe Laurie desapareceu, deixando como pista apenas um vestido ensanguentado. Na época do crime um funcionário da fazenda de seus avós, Billy Crosby foi identificado como o autor do crime que chocou a população e condenado a  prisão quase imediatamente.
Agora Jody recebe a notícia de que Crosby está saindo da cadeia por causa de irregularidades no processo original, e que seu filho Colin, que era apenas uma criança na época, agora formado advogado o ajudou a sair. Jody agora terá que enfrentar de uma única vez todos os fantasmas de uma vida toda, a emancipação da influência da poderosa família Linder, o crime que a impediu de crescer ao lado dos pais, e o homem que todos culparam pelo crime, além de uma atração estranha que ela e Colin sempre foram ensinados a reprimir por causa da ligação entre seus pais.
Gostei bastante do livro. Admito que o começo não me deixou muito animada, porque julguei a autora muito rapidamente, achei que era apenas um desses livros de suspense que podemos adivinhar o final. Mas não, a vontade de saber os detalhes da história e as motivações dos personagens só aumentam com o passar da leitura, e o final é muito bom. Uma leitura para quem gosta de histórias do passado trazidas a tona e do enfrentamento de sentimentos contraditórios.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Até o Dia em Que o Cão Morreu

de Daniel Galera (Editora Companhia das Letras)

O livro conta a história de um homem de 25 anos, morador de Porto Alegre e que meio perdido na vida procura um rumo, procurando emprego e morando sozinho entre vagar pela cidade e beber pelos botecos da cidade ele encontra um cão com o qual começa um relacionamento complicado em que ele só quer o cão se ele o quiser e em momentos um despreza o outro, mas mesmo assim o cão vai morar com ele. Da mesma maneira a modelo Marcela entra em sua vida, e em um relacionamento menos complicado do que aquele com o cão passa a fazer parte de seus dias. Seus dias se dividem em vagar em pensamentos e trocar palavras com o porteiro, que surpeendentemente é dono de um talento para a arte e para as conversas. O final é muito bom, a própósito, melhor do que eu esperava.
Este é o primeiro livro do autor, e o leio antes de ver a adaptação cinematográfica (Cão Sem Dono), mas achei uma leitura irresistível. A história que a princípio pode parecer simplista vai se desdobrando de maneiras imprevistas e coisas sem nenhum valor tomam proporção na história. Os pensamentos que parecem perdidos tem um sentido em um momento avançado da narrativa, e cada construção sempre leva a algum lugar. Gostei muito do livro e recomendo.

Abaixo a foto que tirei com o autor na palestra da Semana Acadêmica do Curso de Comunicação Social da Unisc. Na verdade a participação do autor foi mais um bate-papo, muito bom por sinal, já que tratava do tema " A Literatura pode mudar o mundo?". Ele foi muito gente boa e aceitou tirar a foto, mas quando falei que era para o blog ele me disse de brincadeira para não postar, que era só arquivo pessoal. Sorry Daniel, e os meus leitores?
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Caixa de Correio #19

Oi pessoas, passando bem rapidinho só para postar a caixa de correio do blog, que como você já sabe, não tem data nem horário fixo de postagem. O que eu recebi essa semana:
 Charlotte Street da Novo Conceito, um kit lindo com sace para máquina fotográfica.

 O Começo do Adeus, vem com caixinha e bloco de notas lindo de morrer.
 O Reino do Clive Cussler, estou louca para ler, veio com kit cvom waterbag.
E o kit de Cuco, também da Novo Conceito que veio em um ninho, tudo a ver com a história deste suspense.

E vocês o que tem recebido?
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Citação Literária


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sábado, 18 de agosto de 2012

Por que leio quadrinhos tanto quanto leio livros


É comum vermos crianças se alfabetizando com Turma da Mônica. A leitura é fácil, a junção de imagens e palavras se torna uma experiência lúdica e ajuda no desenvolvimento intelectual da garotada. Porém, à medida em que crescemos, os quadrinhos vão se acumulando nas pilhas de revistas do banheiro enquanto as estantes vão se enchendo de livros. Comigo foi parecido.
Colecionava quadrinhos até os 15 anos e parei. Não lembro se por algum tipo de pressão social ou por achar que estaria sendo mais maduro por causa disso. Comecei a me dedicar mais aos livros e acabei deixando a coleção de lado.
Quando vim para São Paulo fazer faculdade, morei com meu irmão que já estudava aqui. Percebi que ele não tinha parado de ler quadrinhos. Em suas estantes vi publicações em capa dura, encadernadas, de bom gosto. Algo feito com tanto esmero merecia atenção. Foi quando li meu primeiro quadrinho adulto – e quanto digo adulto não é de putaria. Comecei a devorar tudo que me indicavam, tudo que aparecia pela frente.

Com a cabeça um pouco mais madura me vi cercado de novas oportunidades narrativas. Era impressionante como o autor manipulava a noção de tempo e espaço apenas posicionando quadros e desenhos, como cada personagem poderia ser interpretado apenas pela tipografia dos balões. E o mais importante, como as histórias poderiam ser tão ou mais profundas como qualquer livro ou filme.
Um pouco de história
Até pouco tempo atrás as livrarias não tinham interesse em vender quadrinhos adultos, limitando os títulos apenas às bancas e lojas especializadas. Uma realidade bem diferente de países como Estados Unidos e França, onde seções inteiras são dedicados à nona arte.
Isso deve -se ao fato de que, na trajetória dos quadrinhos, consolidou-se uma falsa impressão de que as publicações eram voltadas apenas para o público infanto-juvenil. O uso de personagens antropomorfizados e as situações fantásticas presentes em algumas publicações contribuíam para esse tipo de pensamento.
Outro fator foi a censura que as próprias editoras americanas impuseram-se na década de 50, depois que um psiquiatra publicou o livro Seduction of the Innocent, uma tese sobre a má influência que os quadrinhos causavam nos jovens. Isso fez com que o conteúdo das revistas fossem infantilizados, banindo cenas de violência, alusão à drogas, sexo, etc.
Na década de 60, o americano Robert Crumb foi um dos precursores de um movimento que mudou esse cenário, os comix (com x de x-rated). Uma de suas maiores criações foi Fritz, The Cat, um gato boêmio, hedonista e com grande apetite sexual, que comia todas as gatinhas – literalmente – que via pela frente.

Autopublicando-se e fazendo enorme sucesso no meio underground, Crumb ajudou a abrir as portas de uma revolução nos quadrinhos.
Will Eisner, por uma via menos escrachada e underground, também ajudou a mudar esse paradigma, criando o termo graphic novel e publicando histórias mais sérias e com conteúdo mais denso. Eisner é tido como um dos artistas mais importantes dos quadrinhos, tendo emprestado seu nome para o “oscar” do gênero, o Eisner Awards.
Acredito que a influência desses dois artistas foi extremamente importante para toda a produção subsequente, dando credibilidade e desmistificando velhos padrões. Hoje podemos ver uma grande diversidade de temas abordados em quadrinhos, desde biografias até filosofia e sexo. Tem para todo o gosto.
Quadrinhos como arte
Em tempos de reprodutibilidade técnica, onde uma impressão da Mona Lisa pode ser encontrada a cada esquina, a arte adquire valores diferentes do que tinha há dois séculos atrás. É claro que na maioria dos casos, o quadrinho tem o propósito de atingir um público alvo, de vender. Mas isso não o exclui – assim como o cinema e a literatura – de serem analisados sob uma ótica artística.
Se formos nos ater a detalhes, percebemos o quão minucioso é o trabalho dos quadrinistas. Anatomia, sombra, enquadramento, roteiro, técnicas com nanquim e pena, aquarela, tudo pode ser envolvido em um trabalho.
Arte sequencial feita por... Pablo Picasso

Quando se trata de quadrinhos autorais, isso ainda é mais evidente. Do mesmo jeito que reconhecemos o estilo que Truffaut e Saramago contam suas histórias, podemos identificar marcas autorais no trabalho dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, por exemplo.
Recentemente, Rafael Coutinho, filho do cartunista Laerte, criou o projeto Gazzara. Pediu para diversos artistas criarem histórias de 4 páginas, que ao invés de serem publicadas no formato de livro/revista seriam impressos como pôsteres. A premissa é que lugar de quadrinho é na parede, como uma pintura. Porque não?
Hoje em dia leio quadrinhos tanto quanto leio literatura. Me emociono, me identifico, me apaixono pelas narrativas. Meu olhar se adaptou a outros tipos de referência, me sinto mais completo intelectualmente. É uma plataforma que exige outro tipo de percepção, não é melhor nem pior do que qualquer outra forma de expressão.
Portanto, na hora que a gatinha intelectual perguntar o que tem feito, não tenha vergonha de dizer: estou lendo quadrinhos.

Texto do Ian Leite, do Papo de Homem.
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