terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Vida Após a Morte


de Damien Echols (Editora Intrínseca)

Quando ainda era apenas um adolescente, Damien Echols foi acusado de ser o líder de uma seita satânica que assassinou três crianças no estado de Arkansas, nos Estados Unidos. No livro Vida Após a Morte (Editora Intrínseca), o autor relata sua história desde a infância pobre, até se tornar um jovem desajustado e estranho em uma cidade pequena.


Echols chamava a atenção por suas roupas pretas e camisetas de bandas e foi exatamente estar em evidência que lhe causou tantos problemas. Junto com os amigos Jason Baldwin e Jessie Misskelley, ele foi preso durante a investigação do crime. O trio de 'góticos' foi preso pelo assasinato brutal de Steve Branch, Michael Moore e Christopher Byers, todos de 8 anos de idade. O julgamento virou um circo midiático cheio de lapsos da promotoria e erros graves dos advogados o que acabou condenando três inocentes.





Enquanto Jesse e Jason foram sentenciados à prisão perpétua, Damien foi levado ao Corredor da Morte, onde deveria ser executado com uma injeção letal. A opinião pública começou a mudar com a produção de uma série de documentários da HBO americana, que apontou as falhas do processo judicial. 

A maior sorte dos jovens foi a rapidez com que os documentaristas foram até a cidade, companhando o caso desde o início, ouvindo testemunhas, pais, acusados e demais envolvidos no julgamento. Os programas exibidos pela emissora americana mostraram vários lados do caso, e abriram os olhos da maioria das pessoas para uma verdade bem óbvia que estava sendo deixada de lado: o trio preso pelos crimes não havia realmente cometido os assassinatos, e o verdadeiro assassino ainda andava livre. 



O livro de Damien Echols conta uma boa parte sobre a prisão, o julgamento e tudo que ocorreu. Mas principalmente mostra uma perspectiva única e pessoal de um jovem que foi sentenciado ao corredor da morte, e que passou boa parte de sua vida dentro do sistema carcerário americano (um dos mais rígidos do mundo). Em detalhes ele narra não apenas sua infância e o tipo de adolescência errática que o levou a ser alvo de rumores e fofocas que culminaram na sua prisão. Ele conta muito da vida na prisão, e dos tipos de humilhações e sofrimentos que vivenciou no corredor da morte.



Quando ouvi falar pela primeira vez deste caso, julguei como a maioria das pessoas faz, imaginei que "alguma coisa eles deveriam ter feito", pelo menos que valesse uma acusação desta natureza. Mas um crime que já seria absurdo por si, se tornou algo ainda pior. Principalmente porque não foram apenas os menininhos assassinados que perderam suas vidas; as famílias foram arrasadas pelo crime, e os jovens suspeitos nunca mais foram os mesmos. 


Durante a leitura do livro, e quando assistia aos documentários, eu só conseguia pensar que essa história é complexa demais pra ser ficção, e esta é a única razão: só a verdade poderia ser tão estranha.



A história já é bem conhecida por uma boa parte do público, que acompanhou tanto a cobertura do julgamento e prisão, quando a extensa campanha feita com apoio de celebridades para a libertação do trio de West Memphis, como eles ficaram conhecidos. No entanto, no Brasil a história não teve tanta divulgação. Entre as celebridades que apoiaram os três estavam Eddie Vedder, Johnny Depp, Axl Rose e Peter Jackson que além de dar apoio financeiro para a causa, ficaram amigos de Damien. 



Sua narrativa pessoal emociona e revolta em níveis correspondentes. É fácil se identificar com o Trio de West Memphis, que foi libertado em 2011. Mas 18 anos na prisão tem seu preço. Durante a leitura do livro, a única coisa que conseguia pensar era que isso poderia ter acontecido comigo, ou com amigos meus. Mesmo que a data seja anos depois, mesmo que o local seja  diferente, injustiças penais podem acontecer com qualquer pessoa.




A edição brasileira da biografia de Damien Echols ficou bem caprichada, com uma boa tradução e revisão, e também por conter no centro algumas páginas com fotografias e outras imagens citadas durante a narrativa. Uma história real de muito sofrimento, mas com um final feliz. Um livro que recomendo, principalmente a todos que são tão rápidos em julgar seus semelhantes. Em tempos de redes sociais é muito fácil levantar a voz pra acusar outra pessoa, o difícil é tentar compreender as situações no todo, e agir com humanidade e justiça.

Para quem quiser assistir aos três documentários, eles estão disponíveis no Youtube:
Paradise Lost: The Child Murders at Robbin Hood Hills: Parte 1 e Parte 2
Paradise Lost: Revelations: Parte única
Paradise Lost: Purgatory: Parte única

Essa história, sem dúvida bizarra e que parece inacreditável, foi transformada em filme em 2014. O longa Sem Evidência (Devil's Knot, no título original) foi estrelado por Colin Firth e Reese Whiterspoon. Confira o trailer:
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Dois livros para conhecer a incrível trajetória de Muhammad Ali


A luta: Zaire, 1974. Muhammad Ali, que perdera o título mundial dos pesos pesados por se recusar a lutar no Vietnã, desafia o campeão George Foreman: é a autonomia negra versus o establishment branco. Um dos relatos mais notáveis já escritos sobre eventos esportivos, A luta é também um retrato magistral das tensões políticas dos anos 70. Mas é pela força da palavra que este livro faz o coração acelerar. Norman Mailer, prêmio Pulitzer em 69 e 80, consegue a proeza de nos fazer acompanhar a maior luta de boxe do século XX como se nenhum de nós conhecesse seu resultado.

Adquira o livro: 


O rei do mundo: Na noite de 1964, quando Muhammad Ali (ainda Cassius Clay) subiu ao ringue com Sonny Liston, ele era tido como um sujeito irritante, um sujeito que se movimentava e falava demais. Seis rounds mais tarde, Ali não era apenas o mais novo campeão mundial dos pesos pesados - era "um novo tipo de negro", como ele mesmo se denominou. O rei do mundo reconstitui a trajetória desse lutador que ajudou a transformar a política racial, a cultura popular e a noção de heroísmo dos norte-americanos. 

Repleto de detalhes saborosos e fotos reveladoras, O rei do mundo mostra Muhammad Ali como uma invenção de si mesmo: desde o menino Cassius e sua infância em Louisville até os treinos obsessivos e a mudança de nome e de religião. Ao descrever as principais lutas de Ali, David Remnick conseguiu capturar o espírito predominante da época que marcou a grande transformação da mentalidade americana, embalada pela ascensão política dos negros, por conflitos morais e pela disseminação de organizações como a Nação do Islã e a Máfia. Recusando-se a assumir qualquer papel exemplar ou corresponder a expectativas, Muhammad Ali marcou uma das décadas mais intensas do século XX - um tempo em que a vida se constituía de enfrentamentos duros, dentro e fora do ringue.

Adquira o livro: 

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ficção traz suspense alucinante em ‘Febre de Enxofre’


O que esperar de um convite que pode mudar sua vida? Sorte, armadilha ou simplesmente alucinações? Essa é uma questão que envolve o poeta desiludido Yuri Quirino, personagem do livro “Febre de enxofre”, do escritor mineiro, porém radicado na Paraíba, Bruno Ribeiro. 

O romance, publicado pela editora Penalux, começa quando Yuri se despede da mulher amada e conhece Manuel di Paula, uma criatura estranha que oferece uma oportunidade peculiar de trabalho para ele: escrever sua biografia. Para produzi-la, Yuri precisa viajar até Buenos Aires (Argentina), a cidade natal de Manuel. Porém, ele termina entrando em uma voragem absurda de horror e perdição.

Elementos como o culto, o prosaico e o sagrado, a alucinação e a realidade, são pontos importantes das versões pós-moderna dos grandes mitos da literatura moderna: o vampirismo, traduzido com muita vitalidade na obra de Bruno Ribeiro.

Segundo o autor, o livro tende a se converter em um jogo de bonecas russas, ou espelhos confrontados, onde um e outro pisam na cauda do outro mutuamente. Ele comenta ainda que a obra brinca com o real e com o fictício, trazendo um mundo de imaginação e suspense para o leitor. “É um livro que assume riscos e cumpre com as expectativas que se propõe. Sem pudor”, ressalta. 



Sobre o autor: 

Nascido em 1989, Bruno Ribeiro é mineiro radicado na Paraíba. Tradutor, escritor, roteirista e membro da banda Creepypasta, já publicou e foi destaque em jornais, revistas, blogues e antologias. Bruno é também mestre em Escrita Criativa pela Universidad Nacional de Tres de Febrero, editor da Revista Sexus.

Foi um dos vencedores do concurso literário Brasil em Prosa (com mais de 6 mil inscritos), promovido pelo jornal O Globo e pela Amazon com apoio da Samsung, e também foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura 2016.
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'O Marechal de costas', o novo livro de José Luiz Passos

A  Editora Alfaguara lançou o novo livro de José Luis Passos, 'O Marechal de Costas', biografia do polêmico Marchel Floriano Peixoto. Operando no limite entre fato e ficção, livro traça um retrato sem paralelos da história do país.  Mas o marechal de ferro oculta o sonhador casado com a própria irmã e obcecado por Napoleão Bonaparte. Nascido em Alagoas, Floriano é a figura de maior importância política nos primeiros anos da República.

Por trás de um olhar imóvel e de um silêncio desconcertante, o marechal Floriano definiu o período mais turbulento da nossa República.   Nascido em Alagoas, Floriano é a figura de maior importância política nos primeiros anos da República. Nas páginas deste romance, passado e presente se intercalam de forma espantosa. Acompanhamos não só um Floriano Peixoto humano e o nascimento da República, como os acontecimentos turbulentos do presente, por meio de uma antiga cozinheira que segue, de perto, as manifestações de 2013 e seus desdobramentos políticos. Um livro poderoso sobre a construção de nossa nação.



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domingo, 29 de janeiro de 2017

Suspense de estreia aclamado pela crítica é a aposta da Faro Editorial

Becca Eckerley tinha a vida perfeita. Estudava para ser uma grande advogada numa das faculdades mais importantes do país, uma família feliz e unida, seus amigos eram leais, se dava bem com todos que a conheciam... Uma garota inteligente e amável que encantava a todos. Até que é encontrada morta.

Um crime brutal que abalou a pequena cidade de Summit Lake era o que a repórter investigativa Kelsey Castle precisava para afastar a mente de sua tragédia pessoal. O que ela não imaginava é que a vida dela e a morte dessa jovem estariam ligadas. E o que mais incomodava Kelsey eram as perguntas que ninguém conseguia responder:  por quê estão tentando manter tudo em sigilo? O que realmente aconteceu com essa garota? Como acontece um crime de ódio contra alguém sem inimigos? E por que Becca está morta e eu não?

“Naquele momento, todas as ideias e imagens que tinham estado ali até alguns segundos atrás desapareceram, dando lugar aos seus instintos mais primitivos. Becca Eckerley passou a lutar por sua vida.”

A Faro Editorial lança este mês o thriller, “A garota do lago” que arrebatou milhares de leitores nos Estados Unidos. Um livro de estreia que mereceu destaque de diversos autores consagrados como Robert Dugoni e Emily Bleeker. 

Desde então, Charlie Donlea tem sido considerado um dos autores mais promissores dos últimos tempos. Com uma narrativa eletrizante, mesclando flashs do passado e do presente, ele criou um romance assombroso sobre duas mulheres que foram vítimas de um crime, mas só uma sobreviveu para contar essa história.
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sábado, 28 de janeiro de 2017

O livro para entender a Era Trump

A democracia americana está em crise. Mudanças sísmicas no espaço de uma geração produziram um país de perdedores e vencedores; ao mesmo tempo que criou possibilidades antes inimagináveis de ascensão social, e uma liberdade sem precedentes (nos costumes, iniciativa, vida privada), esse novo estado de coisas conduziu o sistema político à beira da falência e deixou legiões de cidadãos à deriva. É esse outro lado da moeda, o verso da fortuna e da liberdade, o que interessa a George Packer em Desagregação.

Nesta viagem à nova América, o leitor encontrará figuras como Danny e Ronale Hertzell, de Tampa, na Flórida, que largam a escola para se casar e a quem a “terra das oportunidades” oferece subempregos no Walmart, habitação num estacionamento de trailers e o completo afastamento de familiares e amigos; Tammy Thomas, uma operária que luta para se manter no Cinturão da Ferrugem, região do Meio-Oeste que perde suas indústrias de forma irreversível e se converte num aglomerado de urbes fantasmas; mas também Jeff Connaughton, um lobista de Washington que oscila entre o idealismo político e o fascínio do capital organizado, e Peter Thiel, o bilionário do Vale do Silício que questiona o significado da internet. Packer justapõe essas histórias a breves perfis de personalidades públicas desta nova era, de Oprah Winfrey a Jay-Z, e colagens feitas de manchetes de jornal, slogans de propaganda e letras de canções que captam a corrente dos acontecimentos e seus mecanismos internos, numa tradição que remonta à Trilogia Americana de John dos Passos.

Desagregação retrata um superpoder ameaçado de perder sua essência, com elites sem qualquer senso de responsabilidade, instituições que não mais funcionam, pessoas comuns às quais não resta nada senão improvisar esquemas próprios de salvação e sucesso.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Homo Deus, de Yuval Harari, chega às livrarias

Neste Homo Deus: uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari, autor do estrondoso best-seller Sapiens: uma breve história da humanidade, volta a combinar ciência, história e filosofia, desta vez para entender quem somos e descobrir para onde vamos. Sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, Harari investiga o futuro da humanidade em busca de uma resposta tão difícil quanto essencial: depois de séculos de guerras, fome e pobreza, qual será nosso destino na Terra?

Descobrir os próximos passos da evolução humana será também redescobrir quem fomos e quais caminhos tomamos para chegar até aqui.


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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A compreensão da organização medieval em sua natureza mais profunda

O francês March Bloch, um dos mais renomados historiadores do século XX, no livro A Sociedade Feudal, publicado pela Edipro, investiga o organismo vivo do feudalismo, e não apenas sua natureza política, jurídica e religiosa, mas também, o homem a partir de seu modo de viver e de pensar nesta época.

A intenção do autor foi estudar todas as abordagens da sociedade feudal, desde as origens até as relações familiares e de dependência, rituais, hábitos e costumes sociais.

“Poucos se dedicaram à formidável tarefa de reconstruir e analisar um ambiente humano completo; menos ainda conseguiram. Bloch se atreveu a fazer isso e foi bem-sucedido […].” – Charles Garside, Yale Review

Na obra, não é só abordado o momento em que vigorava esse sistema que permeou a era feudal na Europa Ocidental entre os séculos IX e XII, mas também fatos que proporcionaram a transição para o que veio a se tornar os Estados-nação.

“[…] Um livro para leitores inteligentes interessados no passado vivo da Europa.” – C. V. Wedgwood, The Daily Telegraph

O livro é uma leitura essencial para todo estudioso da Idade Média e constitui o ponto de partida necessário para qualquer pessoa que deseja se aventurar pelo universo complexo e intrigante do feudalismo europeu. Ainda, pode ser uma ótima dica para quem gosta de viajar e conhecer a história do mundo.
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