Mostrando postagens com marcador literatura alemã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura alemã. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de julho de 2019

O ponto de encontro entre literatura e ciência

Johann Wolfgang von Goethe explorou sua grande afeição à natureza e botânica, que não são de conhecimento de todos, chegando inclusive a se dedicar intensamente a ela durante a vida e na própria literatura. Em “Metamorfose das plantas” publicada pela Edipro, publicado em 1790, foi onde o autor e estadista alemão deu vida a seus estudos científicos e minuciosos sobre a natureza como parte de um todo, que não foram aceitos em sua época, e retomados por Rudolf Stein cerca de um século depois da publicação.

Em sua teoria, Johann Wolfgang von Goethe apresenta a ideia de que todas as estruturas botânicas são de um único órgão basal, ou seja, todas os vegetais compartilham de uma mesma estrutura ancestral, mas que em determinadas condições se desenvolvem de maneira diversa. Estudou ainda anteriormente anatomia, física e mineralogia, o que fizeram parte também dos seus estudos.

Além de suas ideias, a sua apresentação é também inovadora ao entender o pensamento científico e a elaboração abstrata como parte de um só, já que todos seus escritos sobre a temática permeiam a ideia dupla entre arquétipos e metamorfose, sendo essa segunda elevada em um sentido espiritual/metafísico.

Goethe, portanto, revolucionou o pensamento científico e principalmente filosófico de sua geração, marca e inspira a todos os vieram após ele. Ao leitor, o estatista traz uma análise fenomenológica que entende a subjetividade de quem observa.

A tradução desta edição da Edipro foi feita direto do alemão, por Fábio Mascarenhas Nolasco, doutor em Filosofia na UNICAMP e estudioso dos autores Descartes, Leibniz, Kant, Hegel e Husserl, estabelecendo sempre em seus estudos, pontos de conflito entre filosofia e ciência do século XVII ao XX.

Sobre o autor: Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832) foi o maior nome do Romantismo europeu, tendo alcançado a fama já aos 21 anos, ao publicar Os sofrimentos do jovem Wether. Em uma época em que poucos autores conseguiam sobreviver apenas de seus textos, profissionalizou-se na produção de romances, peças de teatro, poemas e ensaios. Formado em direito, em Estrasburgo, foi ministro de Weimar durante o grão-ducado de Carlos Augusto, além de desenvolver pesquisas científicas em ciências naturais, principalmente nas áreas de geologia, botânica e osteologia. Morreu em Weimar, aos 82 anos, dois anos após concluir sua obra prima: Fausto – trabalho que lhe tomou 16 anos de produção.
Read More

sábado, 29 de outubro de 2016

Imigração, caos e violência: a marca da terceira Guerra Mundial

O autor, professor e pesquisador Harald Welzer discorre, no livro A Guerra da Água, o apocalíptico momento de escassez da água e as consequências catastróficas que causaria na humanidade. O uso desmedido de recursos naturais, o efeito das queimadas e toda a emissão de poluentes que causam o aquecimento global, contribuem com a destruição do meio ambiente.

Com dados das pesquisas que realizou, Welzer tem um prognóstico para as gerações futuras, que sofrerão ainda neste século 21, e isso inclui os filhos e netos – se eles sobreviverem. Se no atual momento o mundo possui refugiados políticos e religiosos, no futuro não muito distante haverá refugiados climáticos e fugitivos do terrorismo contra o meio ambiente.

No início da obra, Welzer descreve a guerra na África Sudoeste Alemã e os motivos que levaram às barbáries dos povos nos séculos 19 e 20, elucidando, neste caso, a briga por etnia, poder e terras. Neste sentido, ele compara esses acontecimentos com a batalha que está por vir e as estratégias utilizadas para combater o inimigo. Porém, com expressivo avanço tecnológico e científico o qual a humanidade apresenta, o massacre será ainda maior.
"Subsequentemente pesquisas acuradas sobre as mortes de ontem, de hoje e de amanhã, passando imediatamente a uma descrição da modificação das linhas básicas, ou seja, os fenômenos fascinantes das possíveis transformações das pessoas em sua percepção e valorização do meio ambiente, sem que isso as leve a observar ou modificar seus próprios comportamentos."

O mais importante para a abordagem é como a sociedade se comportará diante de todo esse tumulto, considerando que algumas regiões sofrerão com mais rapidez as consequências, de acordo com as riquezas naturais que possuem. Todo esse contexto prevê conflitos entre os povos em busca de recursos a qualquer custo.

Apesar da dificuldade de mensurar o impacto ambiental e social deste fenômeno, as prováveis soluções da humanidade serão baseadas em violência, como já ocorreu em outros momentos da história. Sem um entendimento maior por parte das pessoas sobre as mudanças climáticas, as imigrações de uma região para outra serão por intermédio de guerrilhas e causarão muitas mortes.
"A pergunta final de um livro como este decorre naturalmente, ou seja, o que pode ser feito para impedir os piores efeitos dessas transformações? Ou – dito de forma mais patética – para observar e seguir as lições práticas da história."

Segundo o autor, para amenizar os impactos deste desastre ambiental deve acontecer uma mudança radical na cultura, que impediria de forma significativa o crescimento globalizado da tecnologia e consumo. Assim, as pessoas teriam que abster de todos os excedentes em relação ao conforto que atualmente o sistema proporciona.

Mesmo com todas essas previsões negativas com relação ao mundo atual, a obra evidencia um olhar otimista para a grande mudança da sociedade em busca de salvar o planeta. Porém, devem ser estabelecidas novas regras de comportamento e o fim da liberdade de raciocínio. A sociedade precisa mudar rápido o comportamento relacionado à utilização dos recursos naturais para não vivenciar o que bem alerta cientista!

Para compor a obra, o autor discute diversos temas como: mercado da violência, limpeza étnica, conflitos ambientais, os fracassos da sociedade e, o mais abordado, “ecocídio”. Esta leitura, mais que recomendada, já está disponível nas melhores livrarias do país.
Read More

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Metamorfose

de Franz Kafka (Editora L&PM)

Um dos maiores clássicos da literatura mundial, A Metamorfose conta a história de Gregor Samsa, caixeiro-viajante que acorda certa manhã e está transformado em um inseto gigante e monstruoso. A partir dai a narrativa se desenvolve, com ele contando os seus sentimentos em relação a ter se transformado - sem nenhuma explicação - nesta criatura horrenda e também da reação de seus pais e sua irmã com sua condição. Morando ainda com a família, Gregor é obrigado a ouvir e conviver com o passar dos dias com o pavor que ele mesmo causa em sua própria mãe, que prefere qualquer coisa a ter que entrar no quarto onde o filho está.
Já a irmã se mostra mais corajosa, entrando sempre para levar comida para Samsa, e ao mesmo tempo em que tem medo, se preocupa em saber como ele está. Nada nem ninguém pode ajudá-lo.
Há muito tempo eu ouvia falar desta novela, que apesar de não ser extensa é muito interessante e sem dúvida muito bem escrita, você termina se vendo preso pela narrativa, da mesma maneira que Samsa parece preso dentro da casca do inseto. Acho uma leitura muito válida e impressionante, recomendo!
Read More

terça-feira, 1 de março de 2011

Os Anões

de Verônica Stigger (Editora Cosac Naify)

O livro de contos e pensamentos me chamou a atenção principalmente pela capa e pelo livro em si que é muito lindo, ele é pequeno e gordinho, e o conteúdo simplesmente corresponde à sua forma. 
O conto que dá título ao livro, "Os Anões" é especialmente engraçado e muito inteligente, um conto sobre o oportunismo de um casal de anões e a fúria de pessoas comuns e aparentemente civilizadas. 
Todos os escritos que compõem o livro de Verônica são muito sagazes, e eu adorei. Senti apenas ter lido o livro da biblioteca e não ter um exemplar só para mim.

Para quem gostou e quiser ler o ótimo conto que dá nome ao livro, tem aqui no site da revista bravo.


Read More

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Janela de Esquina do Meu Primo

de E.T.A. Hoffmann (Editora Cosac Naify)

O escritor alemão Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, ou E.T.A, criou uma obra-prima da observação. Em A Janela de Esquina do Meu Primo, o autor assume a personalidade de um homem que está visitando seu primo que mora em Berlim, um escritor inválido e recluso que mora de frente para uma enorme feira e que se deleita em conhecer a vida secreta das pessoas que vão às compras. Há quem diga que este livro é biográfico,  mas são apenas semelhanças em relação è vida do autor.
No livro escrito em um diálogo entre eles, ss dois, o escritor e o primo, passam o dia todo desta visita em frente à janela onde o escritor mostra cada personagem curioso que visita a feira, ao seu visitante. Senhoras que já foram bonitas, moçinhas refinadas que não tem escolha quanto aos produtos, criadas de famílias importantes, uma senhora que vende louça, um rapaz que vende flores. A feira de Berlim é uma ópera da vida,  onde pessoas de todos os círculos sociais se encontram em igualdade. Comprando ou vendendo, de passagem ou meros observadores todos são pegos neste emaranhado que engloba as vidas humanas. Cada peculiaridade da alma humana que se acredita estar guardada dos olhares perscrutadores dos outros expostos como num moderno reality show.
Como a maioria dos escritores acho muito interessante e muito inspiradora a ideia de observar o comportamento alheio. Mesmo não sabendo nada sobre as pessoas é divertido imaginar uma vida, ou sonhos, ou pensamentos para os estranhos. Muito da arte de escrever e de criar personagens está em conhecer a psique humana, e isto se ganha através de profunda observação, uma lição, que Hoffmann nos passa.
Read More

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Leitor

de Bernhard Schlink (Editora Nova Fronteira)


O leitor conta a história de Michael, um adolescente que tem um caso com Hanna, 20 anos mais velha. O romance dos dois dura um verão e então Hanna vai embora de repente, sem despedir-se. Anos mais tarde, aluno de direito, Michael reconhece Hanna como uma das acusadas em um tribunal especial para guardas de campos de concentração.
Achei a história toda muito bonita, a paixão com diferença de idade, e Michael é muito novo, está descobrindo tudo, todos estes novos sentimentos, um pouco sem saber como agir em determinadas situações. A condição amorosa dos dois é bastante delicada, e como todo primeiro amor não encontra um fim com a separação do casal.
Depois do reencontro no tribunal, Michael descobre que nunca deixou de gostar dela, e mesmo após de casar não a esqueceu. Ainda é importante toda a fase do pós-guerra, em que os jovens se perguntam como seus pais pudeam ser testemunhas de tamanhas atrocidades, e como foi possível tolerar o que o regime nazista fazia.
Uma das coisas mais legais do livro é que Hanna pedia a Michael para ler para ela em voz alta, e ele o fazia todos os dias quando a via. Isso acaba se tornando uma espécie de ritual para os dois, ler, se amar. E inserido aí está o segredo do livro.
Bernhard Schlink escreve de uma maneira muito objetiva, sem rodeios desnecessários, mas de uma forma muito bonita. Se possível sugiro a leitura antes do filme, já que por conhecer a história algumas partes podem ser prejudicadas. É o tipo de livro para ler de uma vez só.
Read More

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Perfume - História de um Assassino

de Patrick Süskind (Editora Record)


Na Paris do século 18 nasce um bebê com uma habilidade muito peculiar, o maior e melhor olfato existente. Jean-Baptiste Grenouille nasce no lugar mais fedorento que se pode imaginar, e toda sua vida passa por muitos lugares, sem nunca encontrar um lar. 

O menino é esttranho, e apesar de sentir todos os cheiros do mundo não possui nenhum cheiro para exalar. Quando encontra uma moça ruiva de cheiro muito bom sente a necessidade de aprender como capturar os cheiros para assim possuí-los. E se torna aprendiz de perfumista.
Eu já tinha visto o filme, e tinha achado muito bom, mas este é, sem dúvida, um dos melhores livros que já li. A cada novo capítulo há surpresas e uma nova visão de Grenouille. Tem um quê de surpreendente, até mesmo para quem já conhece a história, e o desfecho. 
O modo do autor descrever tudo torna este personagem tão real, como alguém sobre quem já lemos notícias, ou lemos em livros de história. Jean-Baptiste parece saltar para fora do livro de tão real, e os cheiros descritos na história chegam a causar enjoo em certos momentos, pois a narrativa é muito realista. 

É impossível não ficar meio preso no personagem apesar de todas as suas atrocidades, parece que é tudo meio compreensível. A única parte que é um pouco maçante é quando Grenouille sai de Paris e vive em uma caverna, esta parte é um pouco cansativa, mas é importante para o contexto da obra, e o que vem depois, certamente vale a pena.
Ele é cruel sem saber, assim como é delicado. Cada ação sua tem um objetivo, chegar a criar o seu perfume perfeito, feito da essência do cheiro de donzelas. É perturbador e maravilhoso. Na minha opinião, leitura obrigatória. 

Confira o trailer:

Read More

Conteúdo Relacionado

© 2011 Uma Leitora, AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena