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quinta-feira, 8 de março de 2018

Nemo lança Uma irmã, provocante obra de Bastien Vivès

Ganhador do prêmio Revelação de Angoulême em 2009, Bastien Vivès é um jovem quadrinista em ascensão na Europa. Sua mais recente graphic novel Uma irmã retrata a chegada da adolescência inspirada em sua própria experiência, unindo ficção e lembranças para apresentar Antoine, o personagem principal. A obra chega ao Brasil pela Editora Nemo em fevereiro.

Antoine, de 13 anos, tem suas férias transformadas por Hélène, uma garota três anos mais velha que lhe desperta os desejos mais genuínos e encantados do primeiro amor. Antoine vive os dias mais intensos de sua vida, repletos de emoção e incertezas. Por meio de um traço quase minimalista, Vivès transporta o leitor para um verão europeu cheio de descobertas e primeiras vezes, numa narrativa cinematográfica em duas cores.

Por meio de uma atmosfera de tensão dramática que vai além do erotismo, Uma irmã vem atestar que Bastien Vivès é um autor no sentido mais literal do termo, com um trabalho extremamente pessoal. Seu personagem principal possui a fisionomia e uma família muito parecidas com as de Vivès, fazendo com que a história semeie a confusão entre ficção, autobiografia e autoficção para explorar um campo narrativo já característico do autor.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O Amante

de Marguerite Duras (Editora Record)

Na história autobiográfica, conhecemos uma adolescente de dezesseis anos que vive com a mãe e os irmãos em Saigon, na Indochina, hoje parte do Vietnã, e na época colônia francesa e lá começa um romance com um chinês rico, mais velho que ela, com quem se encontra eventualmente e tem sua iniciação sexual. Ao mesmo tempo ela lida com as inconstâncias e dificuldades financeiras de sua família, e o relacionamento conturbado com um dos irmãos que é drogado, e rouba até dos vizinhos para sustentar seu vício. Em contrapartida, o irmão mais novo é amável, mas não se impõe. O pai sempre foi uma figura ausente para a família e influenciou negativamente na criação de todos os filhos. 
Como uma forma de se revoltar contra a mãe ela vai a encontros escondidos com seu Amante, mas este não é o principal do livro. Marguerite duras tem uma escrita tensa, que te faz prestar atenção em suas palavras, geralmente duras. Achei sua visão do mundo muito pragmática, até pessimista, e com certeza brutal. O que em alguns momento pode parecer frieza na narradora é apenas uma conformidade com o mundo e como ele gira, como a impossibilidade de se casar com este homem que amou, já que o pai dele nunca permitiria. E assim ela segue a vida, se adequando, mas nunca se deixando derrubar pelas imposições que a vida traz. Achei uma leitura de extrema sensibilidade, e muito profundo emocionalmente. O livro passa muito rápido, já que são poucas páginas, mas não deixa de trazer uma espécie de desconforto.Gostaria de agradecer à Júlia, minha melhor amiga por me recomendar uma leitura tão surpreendente.
A adaptação para o cinema foi dirigida pelo francês Jean-Jacques Annaud, e estrelado por Jane March e Tony Leung como o casal principal. O diretor, também conhecido por O Nome da Rosa, A Guerra do Fogo, e Sete Anos no Tibete recebeu uma indicação ao prêmio César por O Amante, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. 

Confira o trailer:

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Bandolim de Corelli

de Louis de Berniére (Editora Record)

O romance conta a história da ilha grega de Cefalônia, que durante a Segunda Guerra Mundial esteve sob o domínio dos soldados italianos aliados do Terceiro Reich alemão de Hitler. Na ilha vive o Dr. Iannis, médico que criou sua única filha sozinho após a morte da esposa. Sua filha, Pelagia é de uma beleza única e um temperamento masculino pela criação, e sonha em ser uma médica como o pai, quando se apaixona por Mandras, um pescador. O romance dos dois evolui até um noivado quando eles são brutalmente separados, Mandras é convocado junto aos jovens das ilhas gregas para integrar a resistência do país, e a comunicação entre os dois segue apenas por cartas que Pelagia envia esperando uma resposta, que jamais recebe, e por isso acaba perdendo o interesse nele.  
Um regimento italiano é então instalado na cidade, e Dr. Iannis é obrigado a receber e acomodar em sua cada um oficial italiano, que surge na presença do emblemático Capitão Corelli, músico e militar, lindo e espalhafatoso como todo italiano. Ele toca o bandolim como se fosse a única coisa que importasse no mundo, e na verdade é só o que lhe importa até conhecer Pelagia, e se apaixonar por ela. 
Além de toda a tristeza e horror causados pela guerra e as dúvidas inerentes a qualquer ser humano, Pelagia ainda precisa lidar com seu compromisso com Mandras. A história é absolutamente apaixonante, o estilo do autor é único, ele se demora contando a história de cada personagem, mas isso é especial, faz o leitor ter uma visão em perspectiva, no plano geral, conhecendo um pouco de cada pessoa na história. Não é de admirar que o autor tenha reescrito este livro 35 vezes antes de chegar a edição que foi publicada, ele queria que tudo saísse perfeito. E conseguiu.
A história foi adaptada para o cinema em 2001 pelo diretor John Madden, e no Brasil recebeu o título de Capitão Corelli, e foi estrelado por Penélope Cruz, Nicolas Cage como Corelli e Christian Bale como Mandras. é interessante como uma produção com atuações tão exemplares e tão bem feita seja tão pouco conhecida do público. O filme não é totalmente fiel ao livro, mas isso não interessa já que a história ganhou um novo viés, apaixonante. A cena em que Corelli toca no Bandolim a música que compôs para Pelagia sempre me emociona. Também não devia contar, mas o final do filme foi mais feliz que o do livro, apesar de o fim do livro ser genial.

Confira o trailer (absurdo de bom) de O Capitão Corelli:
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Fim dos Livros

de Uzanne Octave (Editora Palimpsesto)

Uma palavra para descrever este livro: Vanguardista. Escrito em 1894, já trazia à tona uma dúvida que se tornaria temível apenas cem anos depois, o fim dos livros. O autor levanta hipóteses para o fim dos livros que seriam extintos por um macanismo que leria para a pessoa e com outros recursos como imagens móveis (oi?) e efeitos sonoros. Ele estava descrevendo o ipad e não sabia, coitado. Sem lembrar que toda essa revolução nmo século 19 quando tudo ainda era a vapor, eletricidade escassa, telefone pior, sem computador, celular ou internet, muito menos tablets e o cara vem e diz que existe a possibilidade de os livros acabarem extintos por uma tecnologia superior, com mais recursos e que cansasse menos os leitores.
A narrativa além de ser impressionantemente futurista, é também bem humorada neste ensaio que apesar de sua idade está mais atual do que na época em que foi escrito, as ilustrações são lindas e esta edição está impecável. Méritos ao autor, um visionário, sem dúvida, que provavelmente adoraria saber que não, os livros não terminaram e que enquanto existirem pessoas que como eu são apaixonadas pelos livros de papel, tangíveis, e físicos eles vão continuar existindo.
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