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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Poesia na Bienal do Livro do RJ

É tempo de celebrar! Mauro Felippe reúne, na antologia Palavras Têm Vidas, o sucesso de suas quatro obras: Humanos, Nove, Ócio e Espectros. Lançado pela Editora Coerência, o livro combina os melhores versos do poeta catarinense e marca a nova fase do escritor. Mauro é conhecido por escrever poemas e aforismos que imprimem a realidade humana, seja no caos das adversidades ou pela doçura das crianças.

A combinação surgiu a partir de mais de 500 textos do autor e segue a mesma linha dos demais títulos já publicados: um habilidoso jogo de palavras, envolto à críticas ácidas e reflexões acerca da complexidade da mente humana. Trata-se de uma obra para todos que desejam extrair o universo que só a literatura é capaz de proporcionar.

Antes mesmo de ter sido apresentada ao grande público, a obra já foi endossada por críticos literários e nomes consagrados da literatura. Entre eles, o escritor e o jornalista Fernando Jorge, que assina o prefácio da obra. “Na larga visão espiritual de Mauro Felippe, as palavras têm sangue, pulsações cardíacas, almas sonoras, frêmitos de vida ardente (...). Mauro vê nos vocábulos o fiel espelho do nosso íntimo, dos nossos raciocínios, das nossas emoções”, pontua Jorge.

O próprio Mauro admite que jamais havia pensado em lançar uma antologia, assim como nunca cogitou em escrever o primeiro, segundo, terceiro e quarto livros. “É mais um sonho que flui e se concretiza em minhas mãos, que provam que aquelas Palavras, antes lançadas timidamente, Têm Vidas”, define.

As ilustrações ficaram por conta do desenhista, também catarinense, Rael Dionísio. Elas têm o poder de traduzir os textos em desenhos, criando um outro ponto de reflexão a pedido de Mauro, às vezes abstratos, outros surrealistas, mas sempre com grande simbolismo. 


Sinopse: É tempo de celebrar! Mauro Felippe, poeta catarinense, reúne na obra Palavras Têm Vidas o sucesso de suas quatro obras: Humanos, Nove, Ócio e Espectros numa antologia sem igual. Permanece o jogo com as palavras, as críticas, as reflexões e as provocações. Endossada por críticos literários e nomes consagrados da literatura brasileira, como o escritor Fernando Jorge, a nova obra também marca a nova fase deste nobre e humilde escritor que faz da sua poesia uma forte união de versos que imprimem a realidade da humanidade, seja no caos das adversidades ou pela doçura das crianças. Uma obra para todos que desejam extrair o universo que só a literatura é capaz de dar.
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Pintor Candido Portinari tem poemas reeditados pela Funarte

A Fundação Nacional de Artes – Funarte lança no dia 25 de junho, terça-feira, às 18h, no Museu Nacional de Belas Artes, no Centro do Rio de Janeiro, o livro Poemas de Portinari, em nova edição ilustrada. Ela comemora os 40 anos do Projeto Portinari.

Nos últimos anos de sua vida, já consagrado como o grande pintor brasileiro, Candido Portinari passou a escrever poesia, sem a pretensão de publicar. Foi por insistência do amigo Antonio Callado que decidiu aprovar a publicação de uma coletânea, que saiu em 1964, dois anos após a morte do autor, pela José Olympio Editora.

A primeira edição saiu sem ilustrações, conforme determinara Candinho, que não queria se aproveitar da boa fama de pintor para vender o livro. Nesta reedição da Funarte, porém, uma vasta pesquisa foi empreendida pelo Projeto Portinari para encontrar as pinturas mais apropriadas para ilustrar os poemas.

O resultado é um belíssimo livro ilustrado, com poesia e pintura inspiradas nas memórias da infância do artista em Brodowski (SP). Preservada a seleção dos poemas preparada por Antonio Callado, o Projeto Portinari alterou levemente a disposição dos textos e fez alguns acréscimos, a partir de minuciosa comparação com os manuscritos originais de Candinho.

A organização original dividiu os poemas em três grandes partes: a primeira sobre a alegria do menino no interior paulista; a segunda sobre os medos da infância; e a terceira, de cunho social, sobre a revolta que o homem feito sentiu ao se dar conta dos horrores da fome e da miséria. A nova edição vem acrescida de uma quarta parte, Odes, em que Portinari tece homenagens poéticas.

Os textos de abertura históricos de Manuel Bandeira e Antonio Callado foram mantidos e a nova edição traz ainda uma nova apresentação de Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras. Com a reedição, o Projeto Portinari comemora 40 anos de empenho na preservação e difusão da obra do grande pintor brasileiro Candido Portinari.


CANDIDO PORTINARI nasce em 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café perto do povoado de Brodowski, no estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos de origem humilde, recebe apenas a instrução primária e começa a pintar aos nove anos. Seis anos mais tarde, muda-se para o Rio de Janeiro e se matricula na Escola Nacional de Belas-Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem à Europa, com o Retrato de Olegário Mariano. Permanece em Paris durante todo o ano de 1930, de onde, à distância, vê melhor a sua terra. 

Ao retornar, põe em prática a decisão de retratar nas suas telas o Brasil. Preocupado, também, com aqueles que sofrem, Portinari mostra em cores fortes a pobreza, as dificuldades, a dor. Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verifica uma notável mudança na atitude estética e na cultura do País. Torna-se um dos maiores pintores do seu tempo. Por seu envolvimento político, foi perseguido e chegou a se exilar por certo tempo no Uruguai. Na última década de sua existência cria, para a sede da Organização das Nações Unidas, os painéis Guerra e Paz. Candido Portinari morre no dia 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas tintas.


Trecho do livro Poemas de Portinari

Viajante Solitário 
Não me quiseram, enjeitaram
Minhas palavras...
Serei um dos meus espantalhos?
Afugento os caminhantes?
Não, eles se afugentam. Não
Entendem a lua
Não sabem da poesia
Só não estou, mesmo não estando
Comigo. Converso com o vent o e a
Tempestade.
De noite ou dia – verei as sombras
E dormirei em paz. Tenho uma
Camisa. Meu leito é embaixo das
Árvores. Tranquilo ouço o rumorejar
Das folhas secas…
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Livro dialoga entre o poeta do presente e do passado


Dialogar entre a poesia contemporânea e a tradicional, esse é o intuito da nova obra do escritor Luiz Otávio Oliani. Publicado pela editora Penalux, o livro “Palimpsestos, Outras Vozes e Águas” traz a reflexão, por diferentes ângulos e influências literárias, sobre as grandes questões de todos os tempos: o amor, a solidão, a morte, a efemeridade do tempo entre outros.

Segundo o autor, a obra reúne, de maneira harmoniosa, “vozes” poéticas do presente e do passado. O livro mostra os palimpsestos, ou seja, os textos escritos e inspirados em autores tradicionais, que conversam com contemporâneos e com águas diversas, a partir de temas sem ligações com autores específicos.

As referências de escritores alcançam extremos longínquos, como quando se fala de Drummond ou Kafka, mas também demonstra proatividade e atualidade, ao inovar trazendo influências de poetas modernos, como, por exemplo, Alexandra Vieira de Almeida, Jorge Ventura e Astrid Cabral.

- A ideia era mostrar que o poeta precisa dialogar com o “cânone literário” para produzir sua própria obra, sem ignorar os que antecederam - ressalta.


Sobre o autor

Luiz Otávio Oliani é poeta, contista, cronista e dramaturgo. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em Direito, pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Atua como professor de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Produção Textual em diversos estabelecimentos de ensino.

Como escritor, publicou 12 livros, sendo 9 de poemas e 3 peças de teatro. É membro da APPERJ (Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro) e da Academia Humanística, Artística e Literária “Lítero Cultural”. Participa de mais de 200 livros coletivos nacionais e estrangeiros como poeta, cronista, contista ou autor de prefácios, orelhas ou resenhas críticas. Participou da Revista Literária Sociedade dos Poetas Novos. Ainda representou o país, em 2017, no IV Encontro de Poetas da Língua Portuguesa em Lisboa (PT).
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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Reflexos de sensibilidade em luz e poesia

Com textos de profundidade subjetiva e de inspirações ora psicológicas, ora filosóficas, o autor permeia pelo passar dos anos e os reflete no livro Espectros. O poeta catarinense Mauro Felippe partilha da ideia de que cada época da vida é multiplicada pelas sucessivas reflexões das que lhe seguem, e, por isso, para a criança o tempo é tão longo e, em contrapartida, a fase da velhice parece tão curta.

Espectros é prefaciado pelo psicólogo, professor e escritor Adroaldo Bittencourt e pela poetisa e educadora Anna Zin Pilotto – ambos grandes especialistas em suas respectivas áreas –, que antecipam para o leitor: versos marcantes e uma grande aventura poética estão por vir. Mauro Felippe criou a obra a partir de ensaios provenientes de períodos ociosos de paz interior que resultaram em tal construção, profunda e desprovida de princípio, meio e fim. Ou seja, cada peça vale por si mesma, sem estar ligada necessariamente à outra numa sequência, sendo cada página o seu próprio começo e final de acordo com os critérios do próprio leitor.

Livros são fontes que transbordam
Nenhum animal descreve o passado
Nem o que ocorre no presente
Nem desenha o futuro
O homem, ao menos, desabafa escrevendo.

A obra é ricamente ilustrada pelo artista visual Rael Dionísio, que utiliza de forma generosa as cores e imagens intensas, perfeitas para os versos de Mauro. Este possui uma veia artística que mostra a realidade de maneira poética, crítica e existencialista, proporcionando uma verdadeira viagem no tempo ao leitor. O poeta consegue trazer os espectros visíveis e invisíveis da luz do mundo e da magnificência das pequenas coisas que observadas por olhos como os dele se mostram tão grandiosas.

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domingo, 15 de julho de 2018

Tordesilhas lança Eu e não a outra, a primeira biografia de Hilda Hilst


Uma mulher intensa, humana e à frente do seu tempo! Essa é Hilda Hilst autora brasileira que será homenageada esse ano pela FLIP e que acaba de ter sua primeira biografia lançada pela Editora Tordesilhas. Eu e não outra revela a vida de uma mulher elegante, excêntrica, amorosa e que tinha plena consciência de como se construía não apenas na forma pública, mas também literária. 

Com episódios relatados por fontes próximas, além de documentos históricos, o livro traz um panorama da vida da escritora desde seu nascimento, em Jaú, até sua morte, na Casa do Sol, em 2004. A pesquisa foi realizada durante dois anos, e contou com cerca de quarenta entrevistas feitas pessoalmente pelas autoras Laura Folgueira e Luisa Destri – formadas em jornalismo e especializadas em literatura e na obra de Hilda Hilst.

A dupla conversou com familiares de Apolônio Hilst (o pai) e Bedecilda Vaz Cardoso (a mãe), incluindo o irmão, Ruy Vaz Cardoso; com Dante Casarini, ex-marido de Hilda; com amigos, editores e ex-namorados. Entre os depoimentos importantes, destacam-se aqueles dados por figuras muito próximas a ela e, hoje, falecidas, como o editor Massao Ohno; o amigo e escritor José Luiz Mora Fuentes; o também amigo e jornalista J. Toledo e o músico Almeida Prado, primo de Hilda.

“Estou convencida de que o amor é a única coisa a se viver.
Minha infraestrutura é completamente amorosa.”

Além das entrevistas, as autoras realizaram inúmeras visitas à Casa do Sol (antes da criação do Instituto Hilda Hilst) e ao arquivo de Hilda Hilst no Cedae, da Unicamp. Lá, vasculharam os diários da escritora, que fornecem informações fundamentais para os episódios narrados em Eu e não outra. Também foram fontes valiosas as inúmeras entrevistas concedidas por Hilda durante sua vida, bem como críticas e notícias pertinentes – todas detalhadas na bibliografia, cobrindo um período de 1949 a 2006. Por fim, as autoras do livro fizeram, ainda, uma viagem a Jaú – cidade natal da personagem –, reunindo elementos como certidões de nascimento e histórias sobre a família Almeida Prado. 

Para a publicação agora, anos depois da pesquisa original, o livro foi revisto e atualizado, tendo em vista especialmente a repercussão que a obra de Hilda Hilst ganhou após sua morte. Por isso, conta com um posfácio em que as autoras abordam não apenas como se deu a criação da narrativa, mas também como se desenvolveu, depois disso, sua relação profissional com a biografia e a obra de Hilda Hilst.

Eu e não outra é, portanto, um mosaico de fontes, documentos e fotos conhecidas e inéditas de momentos da vida de Hilda Hilst. Ao fim, a personagem revela-se intensa e ousada, como a conhece a maioria de seus leitores, mas, também, profundamente humana em seus questionamentos e relações.
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sábado, 14 de julho de 2018

Poesia provocativa de Gisele Lemos mostra os dois lados do sentimento

A crença no amor, que cria atitudes em prol da vida humana e da natureza, e a solidão provocativa do amor. É por esse caminho que a poeta Gisele Lemos, de pseudônimo Diana Balis, deseja que o leitor atravesse em seu novo livro: “Grave & Agudo. Poesias de Amor”. O lançamento será no dia 11 de agosto, no stand da Perse Editora durante a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Segundo Gisele, a intenção é criar diversos tipos de sensações, inclusive de desconforto. Para ela, o “amor é como dar linha na pipa, você solta e o deixa livre, à espreita da liberdade, do voo e do reencontro”. A escritora diz que a obra também serve como um grito de luta para quem precisa reagir a sentimentos não correspondidos.

- Vivi o amor platônico através da solidão de um quarto fechado. Foi quando me vi diante da crise de sentimentos, a ambiguidade e sobrevivi por amor à vida. Aprendi que o amor abre portas, mas bloqueia a pessoa quando se cala. Por isso, precisamos aprender a reagir ao desamor - desabafa. 

O livro recebe influências de autores consagrados como Gabriel García Márquez, Clarice Lispector e Carlos Drummond de Andrade. Para Gisele, esses escritores são grandes mestres em apresentar “retalhos” de sentimentos em suas obras, seja por meio de poemas ou da história de seus personagens. “O Amor nunca perde a vez. É um jogo que nem sempre se ganha, mas está sempre na moda”.
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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Livro desperta a reflexão por meio da serenidade



Num mundo tão frenético, a poeta Alexandra Vieira de Almeida traz uma reflexão sobre o silêncio e o vazio em sua nova obra intitulada “A Serenidade do Zero”. Publicada pela editora Penalux, o livro é composto de 39 poemas que procuram desconstruir a visão do conhecimento e atingir um estado de concentração serena pela não palavra.

Segundo a autora, a obra busca “ressignificar” o zero, que é visto como negativo pela tradição. Numa implosão do mundo e suas formas, as páginas apresentam um “alfabeto transcendental”. “Ao ler o livro, o leitor poderá atingir um estado de serenidade e tranquilidade que ocorre no processo reflexivo, pois os poemas são de pura meditação”.

Influências

A obra recebe influências de diversos autores. Entre eles, está Rimbaud, pelo estilo transbordante. Além disso, Murilo Mendes, Manoel de Barros, Cecília Meireles e Clarice Lispector também foram fonte de inspiração da escritora.

De Murilo Mendes a influência está na utilização de uma multiplicidade de imagens para falar da realidade. De Manoel de Barros traz a “despalavra”, o “antesmente” verbal, que é a procura de uma fala originária.

No universo feminino, Cecília Meireles é o grande ícone. A partir de Meireles, a escritora leva para as suas páginas uma poesia metafísica e lírica que procura traduzir os sons do indizível. E Clarice Lispector é outra presença que ajuda a poeta a extrair as coisas extraordinárias da vida comum.

- Clarice comparece pelos enigmas que a minha poesia percorre, unindo prosa e poesia, misturando os gêneros, fazendo um rompimento com o tom do purismo de estilo – comenta Alexandra.

Outro olhar
Para o autor do prefácio, o professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e crítico literário Marcos Pasche, a poesia de Alexandra carrega em si o fenômeno de revelação e ressignificação, dando uma concepção original do número do zero.

No poema, “Do zero proveio a multiplicidade dos outros números”, o texto desautoriza polarizações que reduzem o existir ao beco das estreitezas. Enquanto a vida humana é conduzida pelo pulso e pelas rédeas da segregação e das exclusões, a obra busca tanto iluminar quanto acolher. Ninguém está em cima nem embaixo, nem cá nem lá, como diz outro poema do livro.
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terça-feira, 12 de setembro de 2017

Chega ao Brasil a poesia de José Luís Peixoto


O primeiro livro de poesia do José Luís Peixoto a ser publicado no Brasil, A CRIANÇA EM RUÍNAS, já está disponível!

O livro chegou às livrarias na primeira semana de julho e pode ser comprado através do site com frete grátis para todo o Brasil.

Após o sucesso de Morreste-me, José Luís Peixoto retoma o seu principal tema – o luto – com a mesma sensibilidade e grandeza na construção imagética. Transitando desde a melancolia à beleza do nascimento, do saudosismo ao cansaço, aqui encontramos “o último esconderijo da pureza”: seus versos.

A criança em ruínas foi vencedor do Prêmio da Sociedade Portuguesa de Autores.

Quer ver uma pequena amostra da força da poesia de Peixoto?
na hora de pôr a mesa, éramos cinco:o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãse eu. depois, a minha irmã mais velhacasou-se. depois, a minha irmã mais novacasou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,na hora de pôr a mesa, somos cinco,menos a minha irmã mais velha que estána casa dela, menos a minha irmã maisnova que está na casa dela, menos o meupai, menos a minha mãe viúva. cada umdeles é um lugar vazio nesta mesa ondecomo sozinho. mas irão estar sempre aqui.na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.enquanto um de nós estiver vivo, seremossempre cinco.


José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974. É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras. Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prêmio Literário José Saramago ao romance "Nenhum olhar". Em 2007, "Cemitério de pianos" recebeu o Prêmio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado na Espanha. Com "Livro", venceu o Prêmio Libro d’Europa, atribuído na Itália ao melhor romance europeu do ano anterior. Em 2016, venceu o Prêmio Oceanos com "Galveias". As suas obras foram ainda finalistas de prêmios internacionais como o Fémina (França), Impac Dublin (Irlanda) e Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro "Gaveta de papéis" recebeu o Prêmio Daniel Faria, e "A criança em ruínas" recebeu o Prêmio da Sociedade Portuguesa de Autores.
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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Não perca o lançamento de 'Câmera lenta' de Marília Garcia

Em seu quinto livro, uma das vozes mais originais da poesia  contemporânea reflete sobre as múltiplas espirais da linguagem.

Depois de Teste de resistores, Marília Garcia dá continuidade à sua pesquisa sobre o processo poético. Na última parte de Câmera lenta, ela se dedica a uma profunda análise sobre as hélices do avião e sobre a vontade de decifração. 

O poema, aqui, é o lugar para experimentar, exercitar o pensamento “ao vivo” e testar procedimentos novos, sempre em aberto. Para Italo Moriconi, que assina a orelha, trata-se de uma “poética desbravadora, sofisticada, antenada”.
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sábado, 20 de maio de 2017

Poeta moçambicana lança “Os Ângulos Da Casa”


O livro “Os Ângulos da Casa” marca a estreia da poeta moçambicana Hirondina Joshua no Brasil. Publicada pela editora Penalux e com a apresentação do escritor Mia Couto, a obra dialoga com diversos temas complexos, como sexualidade, afetividade e erotismo.

A “Casa”, destacada na poesia, é representada pela escritora como o espaço psíquico, o interior e os sentimentos e os ângulos a maneira de pensar, de observar, o ponto de vista. 

Para o escritor moçambicano Mia Couto, um dos autores atuais mais representativos na literatura africana, o estilo surrealista de Hirondina convida os leitores a um grande passeio poético. “Trata-se de uma visita a um cotidiano que sendo familiar nos é estranho, porque nele se fala o idioma a que ela chama de ‘a língua dos céus’”.

Para os editores Tonho França e Wilson Gorj, o valor da obra se encaixa no propósito da Penalux de investir na literatura de língua lusófona. “Essa é a segunda publicação oriundo do continente africano. A primeira foi o Gociante Patissa, autor de Angola. Nosso próximo passo é publicar um autor de Portugal. Algo que deve ocorrer em breve. ”

Sobre a autora: 
Hirondina Joshua (Maputo,1987) é uma poeta de destaque na nova geração de autores moçambicanos. Tem participação em várias antologias nacionais e estrangeiras e textos publicados em jornais e revistas de Moçambique, Portugal, Angola, Galiza e Brasil. Dentre as quais, destaca-se as revistas Caliban, Zunái, TriploV, Òmnira, Courrier des Afriques, Acrobata, Sirrose, Literatas, Soletras.
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Livro mostra como nasce a poesia


A poesia nasce de qualquer coisa. Pode ser da observação, da doença, da alegria, da calmaria, do inusitado, do estudo e do impensável, é o que afirma o escritor Severino Antônio em seu novo livro “Nascentes”.

Publicado pela editora Penalux, a obra pretende mostrar a origem desse gênero literário, ou seja, onde realmente nascem os poemas. Para o autor, o livro tem o intuito de apresentar o brotar da poesia e as nascentes do fazer poético.

Segundo o escritor Tarcísio Bregalda, autor do prefácio, os poemas de Severino parecem de nascimento fácil, como se fossem água brotando daquela mina d’água da infância. Ao mesmo tempo são textos pensados, escritos e reescritos, o que permite a sensação de que eles podem emergir e varar os séculos. 

Para os editores Tonho França e Wilson Gorj, o autor de “Nascentes” é um dos maiores nomes atuais quando se trata de pedagogia infantil no Brasil, além de ser um dos melhores poetas brasileiros vivos. “Sua obra é bastante valorizada pelos cultos de educação e poesia”.
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sábado, 1 de abril de 2017

Autor premiado pela Academia Brasileira de Letras lança livro


Poeta de uma singularidade lírica exclusiva, personagem forte e marcante, o embaixador Raul de Taunay, com uma imensa sensibilidade, emerge definitivamente na obra ‘Poemas ao Desabrigo’.

Considerado uma das grandes revelações da poesia brasileira contemporânea, Raul de Taunay, atualmente, escreve romances, livros de poesias, ensaios, artigos e análises do cenário internacional. Em 2005, por unanimidade, foi-lhe outorgada a Medalha João Ribeiro, pela Academia Brasileira de Letras.

O autor dedica este conjunto de poesias às alegrias e estremecimentos que habitam seu peito. Esses sentimentos são expressos em cada linha e passeiam entre a nostalgia de partidas; o acalanto; perdem-se na delicadeza de um artesão; na enfermidade; nos desatinos; sem faltar a prosa sobre encantos; gratidão; mulher e entre outras sensações, a mais intensa das emoções, o amor.

Estrela intensa que deslumbra astros,
Maviosa carne que hipnotiza a mente,
Siderado em tuas formas me estilhaço,
E padeço por um beijo qual demente.
Seguindo o caminho das margens que percorreu pelo mundo inteiro à procura de uma fonte para as suas palavras, este poeta intenso faz da poesia um deleitoso momento de prazer. Raul de Taunay revela, nestes ‘Poemas ao Desabrigo’, a harmonia fugaz entre forma, beleza, crueza e liberdade, numa sequência de odes, elegias, trovas, baladas e sonetos marcantes e inesquecíveis.
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quarta-feira, 29 de março de 2017

Um ponto...entre dois

Poucas editoras hoje no Brasil investem na publicação de poesia brasileira contemporânea de qualidade. A Editora Limiar se orgulha de ser uma dessas editoras e estar sempre atenta a novos valores da literatura e da poesia nacional.

Seu mais recente lançamento é uma prova disso. Um ponto...entre dois descortina um poeta que transita pelo tradicional haicai, desconstrói palavras para recriar significados como um mergulho cego em uma piscina cujo impacto pode ser a leveza ou o estupor. Um poeta maduro, sem receio de expor seus medos, seu amor e sua (des) crença com o mundo e sua miríade de sentimentos.


Nas palavras de Ignácio de Loyola Brandão: “Se eu fosse Affonso Romano de Sant’Anna ou Ferreira Gullar, Mario Faustino saberia ler estes textos e decifrar o que são. Para que decifrar? Para estragar o sabor? Por que eles me ficaram na mente, me perseguem, diretos, contundentes, velozes, estranhos? Leia e deixe-se consumir por eles. 

Você vai encontrar um texto ao menos para dizer: Valeu, André Couri, esse também sou eu. Se atingimos um leitor, valeu a pena, deu certo. Nunca sabemos, André, o que há por dentro dessas pessoas que passam por nós. E há tanto, às vezes.
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Embaixador croata lança livro de poemas no Brasil


A poesia é um gênero literário que manifesta beleza, estética e harmonia em formas de palavras. Foi buscando expressar o sentimento de presença profunda e inebriante do ser humano que o escritor Drago Stambuk, ex-embaixador da Croácia no Brasil, apresenta sua nova obra “O mar não está mais”. 

A obra será publicada em dezembro pela Editora Penalux e conta com uma coletânea de poemas que evocam a imagem do mar, que está e não está, dentro de suas ondas eternamente em movimento, provocando a intensa sensação de presença enorme e viva, mas que logo desaparece. 

Segundo o autor, o principal objetivo dos poemas é perpassar por várias paisagens do mundo, assim como da própria Croácia, para edificar em todos os cantos a mesma sensação, costurada pelos oceanos.

- A minha poesia é inconstante e profunda, mas, acima de tudo, viva. A ideia do livro é de estar e não estar, o movimento, a presença e a existência, o fluxo contínuo e humano da nossa realidade - reforça Drago.

Para os editores Tonho França e Wilson Gorj, o estilo de Stambuk está em falta no mercado editorial brasileiro: “A poesia croata não é muito divulgada em nosso país. Essa obra será um incentivo para o intercâmbio cultural e, acima de tudo, literário entre Brasil e Croácia”, comenta a Editora. 


Ao longo dos séculos, a poesia tem sido usada como forma de expressar os mais variados sentimentos e, no sentido figurado, este gênero traduz tudo aquilo que comove, sensibiliza e desperta sentimentos. A verdade é que a poesia só existe quando é plenamente compreendida. Para compreendê-la, é preciso um bocado de sensibilidade.
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sábado, 19 de novembro de 2016

Superdose de Camões e sua lírica fascinante

A Via Leitura lança Sonetos de Luís de Camões, o melhor do poeta em livro, que dispõe 78 sonetos selecionados detalhadamente em pesquisas embasadas em produções acadêmicas e, principalmente, as composições poéticas exigidas nos vestibulares. A obra inclui notas explicativas para os termos não usuais.




‘(...) Se nela está minh’alma transformada
Que mais deseja o corpo alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada1
Mas esta 
linda e pura semideia2,
Que como o acidente em seu sujeito,
Assim co’a alma minha se conforma (...)”

1. Liada: unida, ligada por vínculos morais e afetivos.

2. Semideia: semideusa


Os Lusíadas, inspirada na Odisseia de Homero, foi a obra que consagrou Camões e, após esse feito, apenas três poemas foram publicados até a sua morte e, desses, apenas um em forma de soneto.

Sua morte foi em meados de 1579 e, apenas em 1595 por meio da publicação de Rhythmas, os poemas que abordam, principalmente a temática do amor, foram editorados e reeditados em 1598. A Via Leitura recuperou essas versões registradas e as transformou neste livro que apresenta os mais belos sonetos de um dos maiores poetas da língua portuguesa.

A coleção Biblioteca Luso-Brasileira, que já conta com 17 títulos em seu acervo, busca valorizar as produções em língua portuguesa. Por meio da série, a editora Via Leitura resgata e disponibiliza aos estudantes, pesquisadores e apreciadores da boa literatura verdadeiros tesouros de escritores consagrados do Brasil e Portugal.

Todos os títulos passam por um rigoroso processo de seleção de texto, buscando a maior fidelidade às primeiras edições ou àquelas consagradas pela crítica como as mais fiéis ao espírito do autor.
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sábado, 20 de agosto de 2016

Poema Limpo


de Ryan Mainardi (Editora Schoba)

O escritor sobradinhense Ryan Mainardi, de 29 anos, escreve sobre as angústias do ser em ‘Poema Limpo’ (Editora Schoba, 64 páginas), onde ele de certa forma responde ao Poema Sujo de Ferreira Gullar, a quem dedica o livro. 

Assim como eu seus livros posteriores, Palimpsesto (romance) e Metâmeros (contos), o autor conta de forma autobiográfica sobre sua rotina, trancado em um apartamento na cidade de Porto Alegre, cercado pela fumaça dos cigarros e as garrafas vazias de vinho, atormentado pelas idas e vindas dos amores.


Neste local, ele observa pela janela a decadência da cidade, refletindo sobre uma existência artística brutal. E brutais são seus poemas, as palavras ferem, e é impossível não se identificar, nem sair magoado após algumas páginas. A verdade machuca, e a realidade é o que todos nós mais tememos; a compreensão da insignificância dos seres humanos frente a grandiosidade da vida e do universo. 


Apesar da pouca idade, o autor externa um tipo de amargura de quem viver – e sofreu- muito. Assim, o Poema Limpo, acaba sendo um forma de purificação para um mundo feio e sujo, para uma existência manchada pela dúvida. 
Confira um trecho:

"Nesta vida nada se perde nem se ganha     todas as batalhas são vãse mesmo sabendo dissohá dias    (como esse)em que tudo parece perda em cima de perdae sinto que nem tenho mais nada a perder     que já levaram tudo     que já me fui de mim     que esta escrita revela só o que foi                                                  o que fui
                              no passado                              porque o que é                              não háas perdas levaram                              lavaram                              mataram.


Todo ser humano nasce fiel a si mesmomas depois a vida vai corrompendo esta fidelidadecom golpes fortes e carícias           promessas           seduções           medoso mundo vai se infiltrando em nós                        até que nós não existamos mais                        até que o nosso eu morra                                 e o reflexo vazio que vemos no                                      [espelho do banheiro]                                      e em coquetéis lotados                                      assuma o seu lugar                                      como parte do mundo                                      dono de um corpo                                      (de um lugar na sociedade)                             casca oca                                      vazia."



É impossível passar pelas páginas deste poema e não se sentir tocado de diversas formas, pelo medo, pela tristeza, pelo riso, pelo entendimento, pela depressão, pela solidão. Enfim, as páginas são retratos de uma miríade de sentimentos humanos, tão comuns a todos nós, mas exacerbados pelo contar de sua própria história. Uma obra bela, porém cheia de angústia e medo, assim como a vida. 
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Livro angolano revela a fragilidade humana



Descobrir o mundo exterior a partir de seu interior, essa é a proposta do poeta e jornalista Gociante Patissa em seu novo livro “Almas de Porcelana”. Editado e lançado no Brasil pela Penalux, como o próprio título já diz, a obra apresenta de maneira poética a fragilidade dos seres humanos e suas relações com familiares, com outros e com a própria vida.

A obra trata-se de uma seleção de poemas de dois livros já publicados pelo autor, “Consulado do Vazio” e “Guardanapo de Papel”, catalogados em duas partes. “Almas de Porcelana” ainda reserva uma terceira parte dedicada a poemas diversos.

Em seu trabalho, o autor é sempre muito franco ao expor o mundo e as histórias que o cercam. No poema “Obras do Tempo”, Patissa mostra a dor causada pelas minas terrestres espalhadas pelo solo africano. Ele apresenta o sofrimento das vítimas em forma de palavras, como, por exemplo, “Quando perdi as pernas; começou o Titanic da minha vida a afundar; (...) quantos mais se amputarão; quantas minas ainda afinam vozes; para a hora da explosão?; até quando as armadilhas?”.

Poesia intimista

Porém, mesmo agarrado à imagem da porcelana, Patissa sabe construir a beleza daquilo que um dia foi apenas mero barro, mas graças ao calor da poesia e ao talento do poeta transfigura-se em algo de inestimável valor. Sua fragilidade reside na apreciação pacífica que emana de seus poemas sensíveis. Há neles belas filigranas de esperança, como num delicado conjunto de fina porcelana, em cujas peças brilha um arremate nostálgico.

Para os editores Tonho França e Wilson Gorj, a poesia de Gociante é intimista e sensível, procurando sempre símbolos que compreendem a relação do “Eu” com o “Mundo” e vice-versa. “As ideias centrais são como se seus contornos desenhassem o externo, e o autoconhecimento viesse através do ‘Outro’, mas o ‘Outro’, também, é uma ideia vinda do ‘Eu’”.

A importância do livro é reforçada, segundo os editores, pelo fato de que o mercado editorial no Brasil acolhe poucas obras de escritores negros, principalmente oriundos de outros países, como Angola. Eles dizem que os autores angolanos mais conhecidos no país - como, por exemplo, Pepetela e Agualusa - traduzem um perfil de escritor um tanto quanto distante da realidade populacional daquela região, na qual os negros são a maioria. “O que deixa o repertório brasileiro fraco e pouco diversificado”.

- Porém, Almas de Porcelana é um livro que tenta quebrar essas barreiras, enriquecendo nossa cultura e visão de mundo - reforça.
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terça-feira, 26 de julho de 2016

Conheça "Sonetos de Amor", nova reunião de poesia de Luís de Camões

  Os amantes da melhor literatura têm um motivo a mais para celebrar: esta belíssima edição, com uma seleção dos melhores sonetos camonianos sobre o amor. Líricos, eletrizantes e insuperáveis, textos do autor de Os Lusíadas auscultam, a partir da forma poética difundida por Francesco Petrarca (o italiano reputado como o inventor do soneto), o coração de leitores apaixonados. “Luís de Camões amou muito, sofreu muito, teve gozo no seu sofrimento e escreveu dezenas de sonetos (e canções, elegias, odes etc.) numa repetida tentativa de entender o que era essa coisa simultaneamente terrível e sublime”, escreve Richard Zenith na esclarecedora introdução ao volume.

No tempo que de amor viver soía,
Nem sempre andava ao remo ferrolhado;
Antes, agora livre, agora atado,
Em várias flamas variamente ardia.

Que ardesse num só fogo não queria
O Céu, por que tivesse experimentado
Que nem mudar as causas ao cuidado
Mudança na ventura me faria.

E se algum pouco tempo andava isento,
Foi como quem co peso descansou,
Por tornar a cansar com mais alento.

Louvado seja Amor em meu tormento,
Pois pera passatempo seu tomou
Este meu tão cansado sofrimento!
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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Poesias para homenagear o Mato Grosso do Sul

A poeta Raquel Naveira, aos 58 anos, comemora o lançamento da coleção dos melhores poemas de seus 30 anos de carreira, intitulada “Jardim Fechado – Uma antologia poética”. Dividido em 15 capítulos, a obra mostra um Brasil que vai além do eixo Rio - São Paulo, ela fala do Mato Grosso do Sul com versos consistentes.

Naveira conta que o livro reúne vinte poemas significativos, selecionados de cada um dos seus quinze livros de poemas publicados de 1989 até hoje. “ Essa antologia tem um clamor de voz da terra e da alma sul-mato-grossenses. Uma alma da fronteira que foi derramada em versos”.
 
- Jardim Fechado é o nome de um poema que encabeça um conjunto de poemas que haviam permanecido inéditos até a publicação desse livro. Faz referência a bíblica passagem do “Cânticos dos Cânticos”, falando de um jardim que representa a visão do paraíso, com símbolos eróticos sombras verdes e frutos saborosos – relata. 

Sobre os 30 anos de carreira, a poetisa relata que terem sido transformados em um livro é algo único, maravilhoso e indescritível. Ela relata ter percorrido um longo caminho até chegar nesse momento e que o seguiu sempre olhando em frente. A poeta explica também que não vê o material como um ponto final no trabalho. “Eu quero continuar publicando mais e mais poesias”, reforça. 

A obra é editada pela Vidráguas e tem o apoio da Secretária de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei). O livro em cada capítulo tem uma pequena introdução, informando ainda sobre a quais prêmios a obra foi indicada.

Segundo Carlos Nejar, famoso escritor que escreveu o prefácio, a poesia de Naveira é de centelhas que se somam aos fatos, com imagens que rodam no meio de relâmpagos. Para Nejar, a obra traça um grande perfil da autora e de sua trajetória de 30 anos de criação, missivismo, viagens e dedicação ao magistério e à literatura.
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domingo, 3 de julho de 2016

Brasil recebe obra inédita de premiado poeta argentino


Conhecido por ser amigo pessoal dos escritores Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes, o poeta argentino Rodolfo Alonso terá sua obra traduzida para o português. Editado pela Penalux, o livro “Poemas Pendentes” trata-se de uma edição bilíngue que reúne textos inéditos de Alonso no país. Além de ser um grande presente da cultura argentina, conta com a tradução de Anderson Braga Horta, imortal da Associação Brasileira de Letras.

Segundo os editores Tonho França e Wilson Gorj, o livro se divide em duas seções. A primeira parte, cujo o subtítulo é ‘‘Aparecidos”, inclui poemas inéditos que, por uma ou outra razão, não foram incorporados em publicações anteriores. Com o tema ‘‘Aparições”, a parte seguinte reúne os textos recentes a partir de seu último livro editado.

O conteúdo

O livro revela e compartilha os pensamentos do autor. Os temas dos poemas são bem diversificados, por exemplo, falam de amor, sobre lembranças do passado, detalhes da beleza da vida, um pouco do cotidiano de Buenos Aires aos olhos do poeta e também política.

- A poesia de Rodolfo Alonso não usa as palavras pela sensualidade que desprendem, mas pelo silêncio que concentram. O autor tenta exprimir o máximo de valores no mínimo de matéria vocabular, impondo-se uma concisão que chega à mudez. A ambição deste poeta - como saber ao certo a ambição da poesia? – talvez seja trazer para a vida de todos os dias o fogo de uma chaga viva de amor, ardendo no maior silêncio de compreensão – relatam os editores.
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