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terça-feira, 9 de julho de 2019

Conheça "A Mãe Recém-Nascida", por Thaís Vilarinho

Quando se fala em livros de maternidade, logo se pensa em bebês. Não é mesmo? Estamos acostumadas a ler livros, diários sobre bebês e todo o tipo de informação sobre seu universo. Mas, e a mãe que acabou de nascer? Seus questionamentos? Medos e alegrias? Mamães prestem atenção! Aqui está algo para você... 

Depois do sucesso de "Mãe Fora da Caixa" ao compartilhar sua rotina com o objetivo de desabafar e ajudar também através de publicações em seu blog e Instagram , que funcionam como um bálsamo na vida das mamães, em especial, as de primeira viagem, Thaís Vilarinho lança "A Mãe Recém Nascida", que promete ser muito mais que um livro e sim, uma conversa entre amigas. 

Fisioterapeuta e mãe de dois meninos, Matheus e Thomás, Thaís faz palestras em todo o Brasil e se tornou uma das maiores referências nas redes sociais sobre o tema, alcançando 453k seguidores. 

Em sua obra, Thaís mostra através da perspectiva da mãe todas emoções que a gravidez faz uma mulher sentir, desde os choros compulsivos de alegria por sentir o bebê mexer, até mesmo, o desespero por querer o seu corpo de volta. "Aceite. Simplesmente aceite a sua fragilidade, trabalhe os seus medos e inseguranças. Não esconda nada de si nem de ninguém. Deixe tudo pulsar naturalmente. Abra a porta da frente para os seus sentimentos. Ofereça café quentinho e bata um papo com cada um deles. Cada um deles tem razão de ser. Não se cobre e viva um dia de cada vez. Como mãe, você acabou de nascer", explica Thaís. 

Será que eu nunca mais vou dormir uma noite inteira?Nunca mais vou comer uma refeição com tranquilidade?Ter um tempo para cuidar de mim? Tomar um café com as minhas amigas? "Ah, como eu já me fiz essas perguntas, como eu entendo o que você está sentindo nesse início da maternidade. Parece que não passa, né? Mas sem perceber os primeiros meses passam, o blues vai embora, o bebê já não é mais um recém-nascido e a vida nova vai entrando nos trilhos", revela a autora. 

De maneira acolhedora em uma leitura cativante, "A Mãe Recém Nascida" é um convite às mulheres que desejam descobrir mais sobre os questionamentos do universo da maternidade. "Foram tantos os questionamentos! Por isso, se eu pudesse voltar no tempo e estar aí no seu lugar, sabe o que eu sussurraria no meu ouvido? Cada palavra deste livro".
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sábado, 15 de junho de 2019

Marta, a rainha do futebol

Esqueça Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Quem ganhou mais vezes o prêmio de Melhor do Mundo da Fifa, a entidade mais alta do futebol, foi Marta, premiada de 2006 a 2011 e indicada doze vezes em treze anos, até 2017. Ela é a melhor jogadora da história do futebol feminino e a maior artilheira da Copa do Mundo de futebol feminino, além de maior artilheira da seleção brasileira, superando até mesmo Pelé.

Marta é a caçula de seis filhos e nasceu em Dois Riachos. O pai abandonou a família quando ela ainda era pequena e o peso da criação dos filhos recaiu sobre a mãe, Tereza. Na terra seca do sertão de Alagoas, ainda menina, seus pés criaram intimidade com a bola em um campo improvisado debaixo da ponte. Foi a única garota que se atreveu a jogar no meio de um bando de meninos, e a ousadia não passou despercebida ao conservadorismo da cidade sertaneja.

“Me chamavam de mulher-macho. Muito preconceito. Cidade do interior, todo mundo te conhece. E naquela época meninas nunca jogavam bola. Jogavam handebol, vôlei, qualquer outra coisa. Eu era a única na cidade que gostava de jogar futebol. Aquilo era absurdo para os moradores. Muita gente falava mal de mim, perguntava: ‘Como a mãe dela deixa? Como os irmãos deixam?’.”
Entrevista à Revista Trip, julho de 2014

Em 2000, com apenas catorze anos, Marta foi para o Rio de Janeiro sozinha, contra a vontade da mãe, para tentar uma vaga em um time profissional. Foram três longos dias de viagem. Mas valeu arriscar. Além de jogar em times dos Estados Unidos e Suécia, Marta conquistou pela seleção brasileira a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007 e a medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 e 2008, além do segundo lugar no Mundial de 2007.

Mas seu papel não se limita ao de atleta sem precedentes. Em 2010, foi nomeada embaixadora da Boa Vontade pela ONU, se comprometendo a atuar no combate à pobreza e, em especial, dar força à emancipação feminina.

No entanto, se a trajetória de Marta lembra a de tantos outros fenômenos do futebol, saindo da pobreza para o estrelato, há ainda um abismo que a separa de Messi (que, como ela, tinha cinco prêmios da Fifa até 2017) e Cristiano Ronaldo (que tinha quatro): a falta de prestígio e profissionalização do futebol feminino e os salários incomparáveis aos masculinos.
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sexta-feira, 24 de maio de 2019

A representatividade feminina na literatura

A literatura é um espaço majoritariamente masculino e, obviamente, isso não acontece por que os homens tenham mais capacidade, repertório e melhores histórias para escrever do que as mulheres. Por muito tempo, o impacto de pressões socioculturais decretava que as mulheres se dedicassem exclusivamente ao lar. Portanto, uma mulher que ousasse ter uma atividade intelectual estava cometendo uma séria transgressão. Até o começo do século XX, por exemplo, as que se atrevessem a publicar livros usando seus próprios nomes eram severamente criticadas, pois estavam extrapolando o papel a elas designado.

Esta desvantagem social desde os tempos mais remotos fez com que a produção literária feminina fosse numericamente inferior à dos homens até os dias atuais. Equivocadamente, isso parece ter gerado um ambiente que associou um tipo de 'padrão de qualidade' relacionado à produção textual masculina.

Em uma triste comparação, podemos falar de Emily Brontë, que lançou o clássico O Morro dos Ventos Uivantes em 1847, e de J.K. Rowling, que lançou o primeiro livro da série Harry Potter em 1997. Com 150 anos que separam a publicação dos dois livros, as duas escritoras inglesas usaram pseudônimos masculinos para suas obras. Brontë assinava como Ellis Bell, pois na época mulheres não podiam ser escritoras e Joanne Rowling?(o K é uma homenagem a sua avó, Kathleen?), um século e meio depois, foi aconselhada por seus editores a adotar a abreviação "J. K." por acreditarem que o público não leria o livro se soubesse que havia sido escrito por uma mulher.

É fácil constatar esta realidade também através da análise de algumas das principais premiações e eventos literários do mundo: o prêmio Nobel de Literatura, por exemplo, existe desde 1901, mas só foi concedido a 14 mulheres em sua história; a Flip, Festa Literária de Paraty, já teve 16 edições e entre os escritores convidados, o número de homens é muito maior ao de mulheres; a Academia Brasileira de Letras tem 40 membros, mas apenas cinco mulheres.

No entanto, assim como em todas as outras esferas sociais, na literatura as mulheres também ocupam seu espaço cada vez mais. Escritoras como Mary Shelley, Virginia Woolf, Agatha Christie, Simone de Beauvoir e Florbela Espanca abriram passagem para que, no mundo, outras também pudessem disseminar seus anseios e vivências através dos livros. No Brasil, o caminho foi trilhado por nomes como Raquel de Queiroz, Cecília Meireles, Carolina de Jesus, Ruth Guimarães, Clarice Lispector, Zélia Gattai, Cora Coralina, Lygia Fagundes Telles, Ana Maria Machado entre outros tantos.

É inquestionável: a presença de mulheres na literatura é tão fundamental quanto em outras tantas áreas em que o feminino ganhou representatividade ao longo dos tempos. Hoje em dia existe um grande número de escritoras que conquistaram sucesso arrebatador com livros das mais diferentes temáticas e para variados públicos. Bons exemplos são Alice Munro, vencedora do Nobel de Literatura em 2013, a própria J. K. Rowling, que mesmo após ter sua real identidade descoberta, encantou crianças, adolescentes e jovens com seu mundo de seres mágicos, Stephenie Meyer, autora de Crepúsculo, que fez adolescentes e jovens suspirarem por vampiros e E. L. James, escritora de Cinquenta Tons de Cinza, que tirou o fôlego do público adulto com seus protagonistas intensamente apaixonados.

Falando ainda de uma remessa de novíssimas escritoras, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, do premiado romance Americanah, e as brasileiras Paula Pimenta (Minha Vida Fora de Série), Thalita Rebouças (Tudo Por Um Pop Star) e Babi Dewet (Sábado à Noite) - com quem tive o prazer de trabalhar – também são parte de uma lista de autoras que representam a importante e imprescindível participação da mulher na literatura.

É claro que ainda estamos longe do ideal, mas é notório que novas escritoras a cada dia conquistam mais espaço no mercado editorial. E nesse cenário, felizmente, ganhamos todos. Afinal, o que seria de nós, leitores, sem as obras que tratam das mais diversas e complexas questões da vida sem o olhar sensível, detalhista e perspicaz da mulher?


Por Eduardo Villela.
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terça-feira, 30 de abril de 2019

Feminista: a literatura emancipa

Por muito tempo elas foram proibidas de desfrutarem da leitura, pois esposas, filhas e irmãs que liam eram perigosas. Somente no século XIX o livro se tornou mais acessível às mulheres.

As que liam escondido ou mesmo após a “aprovação masculina”, eram marginalizadas, porém, muitas vezes é o que as salvavam de casamentos sem amor e obrigatórios dando espaço à ficção, a uma viagem para fora do mundo realista e cruel, e também as inundavam de conhecimento e coragem. A literatura foi essencial para a construção da emancipação feminina.

Portanto, os livros cumpriram sua missão, abriram as portas trancadas por séculos pelo patriarcado.

A história só solidificou e melhorou para as mulheres, claro que com muita luta, e não só os olhos puderam repousar entre as letras, como também a mão, considerada escrava da casa, pode cada vez mais transpor os sentimentos e pensamentos da mulher.

Já dizia o enredo campeão de 1991 do carnavalesco Portinari, pela Rosas de Ouro, De Piloto do Fogão a Chefe da Nação: “lutando pelos seus direitos, sem tabus e preconceitos, e viver de igual pra igual”.

A mulher pode tudo! Ler e escrever é sinal de resiliência!

Para enfatizar este Dia Internacional das Mulheres, que homenageia 128 mulheres assassinadas a fogo em uma fábrica têxtil enquanto lutava por seus direitos, a Editora Edipro separou algumas obras de mulheres fortes para mulheres que precisam de força.

Reivindicação dos Direitos das Mulheres (1792) – de Mary Wollstonecraft, é a primeira obra feminista, um verdadeiro tratado que planta a raiz do pensamento feminista e da emancipação política das mulheres. Totalmente contemporâneo, o livro busca elucidar atitudes que podem gerar a autonomia da mulher, antes mesmo da palavra feminista existir. Nenhuma mulher pode deixar de ler! 

A Falência (1901) – em primeiro lugar é necessário enfatizar que a autora, Júlia de Almeida Lopes, não pode ocupar seu lugar da cadeira na Academia Brasileira de Letras. Mesmo sendo idealizadora deu lugar ao seu marido, por conta do patriarcado que perdurava na época. O romance supera o arquétipo de heroína romântica da época, apresentando uma protagonista adúltera em busca de realização. Uma mulher afrontosa e obstinada!

O Papel de Parede Amarelo e Outros Contos (1892) – de Charlotte Perkins Gilman, mostra na principal obra da coletânea como a saúde mental das mulheres era tratada no século XIX. Ainda, mostra outros contos que também carregam mensagens feministas. Ainda, a autora tem o livro Herland – A Terra das Mulheres (1915) que mostra uma sociedade exclusivamente feminina e dá uma aula de civilidade. Mas que mulher, não é mesmo?! 

Persuasão (1818) – da icônica Jane Austen, é um livro sobre a determinação de uma mulher que perde o amor de sua vida por influência de sua família e decide não casar por interesse ou recomendação dos pais. Ter amor é seu objetivo! Parece simples, né? Mas na época era quase impossível.
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sábado, 2 de março de 2019

Essas Mulheres Assombrosa

Em meados de 1996, o editor londrino Barry Cunningham da Editora Bloomsbury, aconselhou uma escritora a utilizar apenas as iniciais de seu nome, de modo que o público masculino não se afastasse de seu livro: “Sabe Joane? Achamos que este livro vai despertar o interesse de rapazes e garotas. Podemos usar as suas iniciais? ” Basicamente, queriam ocultar o gênero da escritora. Mas Barry foi além. Muito embora a Bloomsbury tenha contratado a publicação do livro, o editor aconselhou a autora a procurar um outro emprego, já que as chances de uma mulher conseguir dinheiro com livros eram mínimas. Mas ela queria muito ser escritora. Deus! Como queria! Em 1997, Joane conseguiu com muito esforço uma concessão de 8 mil libras da Scottish Arts Council, um organismo público da Escócia que financia desenvolve e promove as artes no Reino Unido, para continuar escrevendo a série.

Em junho de 1997, a Bloomsbury finalmente publicou o primeiro com uma impressão inicial de mil cópias. Em novembro daquele ano, seu livro levou o prêmio Nestlé Smarties Book Prize. Em fevereiro de 1998, ganhou o British Book Awards na categoria de Livro Infantil do Ano, e mais tarde, o Children's Book Award. Estamos falando de Joanne Kathleen Rowling, mais conhecida como J. K. Rowling, a autora da saga Harry Potter.

Como minha amiga e conselheira Carol sempre menciona: É verdade esse bilete? Sim! É fato verídico e ilustra à saciedade como a literatura fantástica escrita por mulheres possui uma recepção diferente, tanto das editoras, quanto dos leitores.

Lugar de mulher é no fogão. 

Só se ela for cozinheira, Barry.

Lugar de escritora, portanto, é atrás da máquina de escrever ou onde ela quiser, meu filho! Vou te
explicar, cronologicamente, como a banda toca. Trago cá uma lista que vai te deixar de queixo caído. 
Ann Radcliffe, escritora inglesa, conterrânea de Joanne, é considerada a pioneira do chamado romance gótico. Em 1794 ela publicou Os Mistérios de Udolpho. Sua técnica de como explicar elementos sobrenaturais em seus livros foi o que elevou o gênero do romance gótico a um status respeitável na década de 1790. Isso rolou 200 anos antes de J. K. Rowling, Barry. 
Mary Shelley era noiva do poeta Percy Shelley. Há 203 anos, Lord Byron, John Polidori, Percy e Mary, reuniram-se para passar férias em uma mansão próxima ao lago Léman, na Suíça. Mas o clima não ajudou. Abrigados contra o tempo inclemente e incessantes tempestades, de maneira a passar os dias chuvosos, decidiram promover um concurso onde cada qual deveria escrever uma história de horror. O resultado não é desconhecido por ninguém. Em 1818, Frankenstein, ou o Prometeu Modernofoi publicado por Mary Shelley, cuja fama, hoje, supera a de seus ilustres companheiros da mansão. Barry, Barry... 

Emily Brontë era irmã das escritoras Charlotte Brontë (Jane Eyre e O Professor)e Anne Brontë (Agnes Grey). Em 1847, Emily publicou seu romance, O Morro dos Ventos Uivantes, que possui elementos do romance gótico e hoje é considerado um clássico da literatura mundial. Um dos romances com maior número de adaptações para o cinema, desde 1920 até 2011, com atores renomadíssimos como Laurence Olivier, Merle Oberon, Timothy Dalton, Ken Hutchison, Ralph Fiennes, Juliette Binoche, Robert Cavanah, Orla Brady, Tom Hardy, Charlotte Riley, Sarah Lancashire, e Andrew Lincoln. O livro contou com adaptações para ópera e também para a dramaturgia brasileira, com duas telenovelas, em 1967 e 1973, respectivamente O Morro dos Ventos Uivantese Vendaval. Caramba, Barry! As três irmãs eram inglesas e escritoras de sucesso! 
Daphne Du’Maurier, nascida em 1907, foi autora de grandes obras de terror. Entre eles temos o conto Os Pássarose o romance Rebecca, ambos adaptados por Hitchcock para o cinema. Precisamos discutir isso, Barry? 

Selma Lagerlöf publicou em 1912 a novela Körkarlen ou a Carruagem Fantasma, gênero fantasia sombria. Virou filme mudo em 1921, dirigido e estrelado por Victor Sjöström. Considerado como uma das obras centrais da história do cinema. Ah! Por falar nela, Lagerlöf foi a primeira mulher a receber o prêmio Nobel de Literatura. #chupabarry. 

Agatha Christie, inglesa, foi a grande escritora do gênero suspense, desde 1920, com diversos livros traduzidos pelo mundo afora, além de diversas adaptações para o cinema. Segundo o Guiness Book, Christie é a romancista mais bem-sucedida da história da literatura popular mundial em número total de livros vendidos, uma vez que suas obras, juntas, venderam cerca de quatro bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, cujos números totais só ficam atrás do poeta William Shakespeare e da Bíblia. Podia ir dormir sem essa, né Barry? 

Patricia Highsmith foi uma escritora norte-americana famosa pelos seus thrillers criminais psicológicos. Iniciou a carreira na década de 1940, escrevendo roteiros para histórias quadrinhos para Editora Nedor, sobretudo as do super-herói Black Terror. Tornou-se mundialmente famosa por Pacto Sinistro, que teve já várias adaptações para cinema, sendo a mais famosa dirigida por Alfred Hitchcock em 1951. Foi a criadora deO Talentoso Ripleytambém adaptado para o cinema com Matt Damon (1999) e John Malkovich (2002). Putz, Barry! 

Shirley Jackson também foi uma importante autora do gênero. Uma de suas principais obras, A Assombração da Casa da Colina (1959), já foi adaptada para o cinema duas vezes. Outra obra da autora, Sempre vivemos no castelo (1962) foi publicada apenas esse ano no Brasil pela Suma de Letras. Pô, Barry! 

Anne Rice de quem eu tenho absolutamente tudo. Guardanapo que ela limpou a boca e jogou no chão da lanchonete? Teria também, se Miss Anne não fosse uma dama! E, não é para menos. Se Bram Stoker foi o responsável por popularizar o mito do vampiro com o romance Drácula, Anne foi a responsável por reviver o gênero magistralmente. Literalmente, sangue novo na fita. Com o lançamento de Entrevista com o Vampiroem 1976, ela deu início à saga chamada As Crônicas Vampirescas. Para você compreender o impacto de sua publicação no mundo, aqui no Brasil, a tradução da obra para o português (Editora Rocco) ficou a cargo de ninguém mais ninguém menos que Clarice Lispector. Virou filme com grande elenco, Tom Cruise, Brad Pitt, Stephen Rea, Kirsten Dunst, Antonio Banderas, Christian Slater e Tandiwe Newton. E, mais! O Vampiro Lestat está para virar série em 2019. Boo, Barry! Boo! 

Susan Hill publicou em 1983 uma novela de horror chamada A Mulher de Preto, que segue o tradicional estilo gótico. O livro deu origem ao filme, de mesmo nome, contando com Daniel Radcliffe no papel principal. Lançado em 2012, com direção de James Watkins, foi o primeiro longa que Radcliffe atuou após o longo período como Harry Potter nos cinemas. Engole essa, Barry! 
Valerie Martin publicou em 1990 a obra Mary Reilly, inspirada por O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Sr. Hydede Robert Louis Stevenson. O livro é narrado sob a perspectiva de Mary, empregada de Dr. Jekyll. Também ganhou adaptação para o cinema, com Julia Roberts no papel principal. Sentiu isso, Barry? 

Margaret Atwood, recebeu o primeiro Arthur C. Clarke Award Prizeem 1987 com O Conto da Aia. O romance também foi nomeado ao Nebula Awardde 1986 e ao Prometheus Award de 1987, ambos prêmios de ficção científica e acabou se transformando em uma série de ficção científica dolorosamente real na Netflix. Está acompanhando, Barry? 

Vou parar por aqui porque acho que provei meu ponto. Mas, Barry, vamos! Precisamos nos entender! Todas essas moças talentosas que citei, publicaram seus livros e foram muito bem-sucedidas, anos, décadas e séculos antes da nossa querida Joanne.

Onde você estava com a cabeça?

Barry. Barry. Seu babaca.


*M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito Militar e mestrado em Direito Internacional, Ciência Política, Economia e Relações Internacionais. Autor de Imperiais de Gran Abuelo, publicada pela Pandorga, e o criador da série O Bairro da Cripta, lançada anteriormente pela LP-Books, obras que reforçaram seu nome como um dos principais autores brasileiros de horror da atualidade. Com base em fatos históricos, Terci substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, numa verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira. Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Mulheres na Luta: A história do movimento feminista em quadrinhos


Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade.

Em Mulheres na luta, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar. 

O livro, que é totalmente colorido e tem capa dura, ainda conta com um posfácio de Bárbara Castro sobre o movimento feminista no Brasil. Veja uma entrevista com a autora Marta Breen no YouTube.

Confira alguns trechos:







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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Quebrando tabus: o (verdadeiro) erotismo feminino

O quadro é muito conhecido. De autoria do artista espanhol Diego Velázquez, a pintura “Vênus ao espelho” é a única de nu feminino feita por ele. Esmiuçando detalhes da anatomia humana, a deusa do amor, fertilidade e beleza foi retratada sem acessórios, joias e outras tantas simbologias tão presentes em obras de arte. A Vênus de Velázquez aparece nua, olhando a si mesma, se aprofundando em sua própria natureza. Se amando.

E é esse o intuito que a ginecologista e obstetra, Cristiane Schneckenberg estimula em seus leitores e leitoras no livro Um espelho para Vênus. Uma descoberta sobre a própria sexualidade, prazeres e excitações. Narrando através dos olhos da personagem, a também médica Dr. Sara, a autora apresenta situações inspiradas em casos da vida real.

O que fazer quando a mulher não se sente excitada? As fantasias sexuais devem ser condenadas ou exaltadas? Filmes e livros pornográficos seriam uma nova forma de atiçar o desejo das mulheres? Como uma mulher sabe que atingiu o clímax, se nunca o fez antes? Afinal, os seres humanos são mono ou poligâmicos?

Na história, casos de disfunções sexuais femininas são exemplificados. Desde mulheres que tinham problemas físicos para sentir prazer, ao desconhecimento de muitas sobre como se auto estimular. Seja pela censura imposta na sociedade atual sobre o corpo feminino, ou a implícita vergonha e repressão induzidas nas mulheres desde a mais tenra idade. Preconceitos, estigmas e mentiras precisam cair, e o conhecimento sobre o próprio corpo é uma questão de saúde, muito bem exemplificada na narrativa.

Toda essa consciência técnica sobre o corpo e o prazer feminino são belíssimamente envoltas em um delicado romance. É a busca da Dra. Sara pelo seu próprio erotismo, autoestima e sexualidade, saindo de um protagonismo submisso com o namorado Miguel, para poder, enfim, chegar a um melhor entendimento do amor que sente e a descoberta de uma faceta erótica a qual nunca pensou possuir.

Um espelho para Vênus é uma obra que auxilia no entendimento do, ainda indecifrável, pensamento feminino. Uma visão sobre o amor e a sexualidade da mulher moderna, e que incentivará outras a descobrirem e confiarem em si mesmas.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Minha Vida Não É Cor-De-Rosa retrata com delicadeza o despertar para questões importantes

No dia 4 de agosto, às 15h, na Livraria NoveSete (Rua França Pinto, 97, Vila Mariana), em São Paulo, a autora Penélope Martins lança pela Editora do Brasil o seu novo livro Minha Vida Não É Cor-De-Rosa. Na ocasião, haverá também um bate-papo especial entre a autora e o Supervisor Editorial da Editora do Brasil, Gil Vieira Sales, sobre o processo de criação e edição do livro, além de temas abordados na obra, tais como feminismo, direitos humanos e igualdade.

Minha Vida Não É Cor-De-Rosa faz parte da série juvenil Toda Prosa, que foi concebida especialmente pela Editora do Brasil para ser um divisor de águas no mercado de livros para os jovens leitores. Desenvolvida em um projeto gráfico atrativo e inovador, a série conta com ilustrações coloridas e com alta qualidade estética, aliada a textos que primam também pela grande qualidade literária. Com temáticas bastante diversas, as histórias de Toda Prosa abordam assuntos desde o cotidiano dos adolescentes até narrativas fascinantes e misteriosas, que retratam o folclore e a história do Brasil.

Em Minha Vida Não É Cor-De-Rosa, a sensível protagonista do livro enquanto busca seu lugar no mundo, precisa lidar com as responsabilidades, namoros e amizades complicadas. Além disso, tenta superar dois casos de assédio conversando com as amigas e com os pais, se mobilizando na escola, sendo uma boa aluna e fazendo a diferença no mundo. O livro é intenso e aborda temas difíceis de maneira bastante delicada, retratando com doçura o despertar para questões importantes como o feminismo, a desconstrução de estereótipos, a igualdade e os direitos humanos. Ao longo das páginas do livro, o leitor irá acompanhar o desabrochar dessa adolescente. Os temas são tratados como florescimento para as alegrias e tristezas da vida.
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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Edipro publica um dos primeiros manifestos feministas


A história do feminismo é recente, começa no século XIX e ganha força no século XX. Os movimentos que o cercam custam a ter voz, e cada vez mais lutam por seus direitos e para mostrar o papel feminino na sociedade. Um clássico da literatura, Herland – A Terra das Mulheres deixa uma importante marca nesta mobilização. Um século depois da primeira publicação, o selo Via Leitura, da Edipro, traz uma nova edição de um dos primeiros manifestos feministas. 

Incentivada pela proposta, a Edipro apostou em uma equipe inteiramente feminina para a produção desta obra. Desde a edição do texto, passando pela produção, revisão, diagramação, capa e divulgação, apenas mulheres foram envolvidas no projeto. O prefácio é de Juliana Gomes, coordenadora do Leia Mulheres (projeto de promoção da literatura feita por mulheres, inspirado pela escritora inglesa Joanna Walsh). Com isso, a Edipro busca emular a inspiração inicial da autora Charlotte Perkins Gilman. 

Publicada pela primeira vez em 1915, Herland descreve uma sociedade formada unicamente por mulheres que vivem livres de conflitos e de dominação. A história é narrada por um estudante de sociologia que, com o auxílio de dois companheiros, chega ao lendário país dominado por mulheres. As diferentes visões dos três exploradores logo entrarão em conflito com a organização social utópica que terão de confrontar. 

Herland subverte questões como a definição de gênero, a maternidade e o senso de individualidade. Gilman, nesta obra, cria uma narrativa revolucionária e dá uma importante contribuição às discussões sociológicas sobre os papéis masculino e feminino em sociedades de qualquer época.
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quinta-feira, 29 de março de 2018

Quatro livros feministas para se empoderar

A Política Sexual da Carne

Nessa obra, a autora, Carol J. Adams, analisa as ligações estreitas entre os movimentos sociais feministas e as práticas vegetarianas. Seja para destacar-se do restante dos seres vivos ou para afirmar sua masculinidade e virilidade, o homem branco e hétero fez com que o consumo da carne traga em suas raízes o machismo. A autora mostra que, ao enxergar a existência dos pontos de intersecção entre a forma com que as sociedades patriarcais tratam a mulher e os animais, os leitores entenderão também, que combater a violência praticada contra esses dois grupos é o único caminho para uma sociedade mais igualitária.

Um teto todo seu

O livro nasceu a partir de duas palestras chamadas “As mulheres e a ficção”, proferidas por Virginia para a plateia essencialmente feminina da Sociedade das Artes, na Londres de outubro de 1928. O texto de Virginia tem a qualidade estupenda de seus livros da época. Mrs. Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928) foram seus predecessores; As Ondas (1931) deu continuidade à série de obras-primas. O livro, escrito nove anos após as mulheres obterem direito de voto na Inglaterra, é uma ampla análise da situação da mulher e de sua relação com o dinheiro. Virginia Woolf insiste em que as mulheres precisam de duas coisas para criarem uma nova literatura: um teto todo seu, ou seja, um quarto que pudesse ser trancado à chave para escrever, e uma renda de aproximadamente 500 libras anuais. Para tanto, a mulher deveria trabalhar (Virginia fazia parte da Liga do Trabalho Feminino) a fim de obter alguma independência.

O lado invisível da economia

Escrito pela jornalista sueca Katrine Marçal, O lado invisível da economia questiona o modelo masculino do pensamento econômico e discute como a economia ignora o trabalho duplo das mulheres ao gerir carreira e família. “Os homens sempre tiveram permissão para agir em nome do interesse pessoal – tanto na economia quanto no sexo. Para as mulheres, essa liberdade é um tabu. […]. As mulheres nunca tiveram permissão para ser tão egoístas como os homens. Se a economia é a ciência do interesse pessoal, como a mulher se encaixa nela?” (Trecho do livro)

Considerado o Freakonomics feminista, o livro questiona o modelo masculino do pensamento econômico, explicando como as bases teóricas da economia ignoram a mulher, cujo papel era cuidar do lar. Séculos depois, essa mesma lógica continua excluindo a mulher, que precisa fazer jornada dupla ao gerir carreira e família. Com linguagem envolvente e perspicaz, e recheada de dados, a autora explica o funcionamento do mercado baseado na figura do homem econômico e defende que a única solução para uma sociedade mais igualitária é um pensamento econômico mais feminista.

O pomar das almas perdidas

Ambientado na cidade de Hargeisa, na Somália, às vésperas do conflito que engoliu o país, O pomar das almas perdidas conta a história de violências e perdas de três mulheres de gerações distintas. Deqo, Kawsar e Filsan se encontram pela primeira vez em um estádio, na festa de aniversário da revolução que colocara no poder uma ditadura militar. Aos 9 anos, Deqo, que só conhecia a existência no campo de refugiados onde nascera, fará uma apresentação de dança e por ela receberá um desejado par de sapatos. Mas ela erra a coreografia e recebe uma punição. Das arquibancadas, a viúva Kawsar, em seu eterno luto pela morte da filha adolescente, vê a agressão e decide intervir. É presa por Filsan, uma jovem soldado ambiciosa que em breve aprenderá uma lição dura sobre si mesma e o mundo dos homens. Os eventos que se desenrolam do momento da prisão de Kawsar até a volta de Filsan à delegacia são dramáticos e determinantes do que virá a seguir.

O livro acompanha então a vida de cada uma das mulheres. Deqo se perde pelas ruas da cidade, perambulando pelas bancas do mercado até encontrar refúgio na casa de prostitutas. Machucada, impossibilitada de se mover, Kawsar volta para seu bangalô e passa a viver com a ajuda de uma jovem. Filsan retorna ao quartel e ao seu trabalho de patrulha. Nesse momento, a narrativa cresce e ganha uma qualidade poética admirável, para a qual muito contribui a musicalidade das palavras somalis sussurradas aqui e ali.
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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Estrela de The Big Bang Theory lança obra divertida e didática para as garotas


Oxigênio. Carbono. Hidrogênio. Nitrogênio. Cálcio. Fósforo. Não, não é uma aula de química. Esses são os elementos que constituem todo o organismo do ser humano! E mesmo que o corpo seja feito de seis coisas apenas, há tantas mudanças físicas, cerebrais, emocionais que nem parece que essa “massa” corpórea seja tão simples. No caso das meninas, o peso para certas coisas é ainda maior! No livro Girling Up – Como se Tornar Uma Mulher Saudável, Esperta e Espetacular, Mayim Bialik, a Amy da série The Big Bang Theory, ensina, de maneira divertida e estimulante, vários conceitos importantes do ponto de vista biológico que afetam a vida das garotas por inteiro.

Além de suas famosas atuações como Blossom (uma adolescente inteligente e sarcástica, cujo nome também é a denominação da série dos anos 90) e Amy Farrah Fowler (ainda atuante), Mayim é PhD em Neurociência pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). É com esta formação que ela traz ensinamentos sobre a puberdade de maneira bem simples de forma que as garotas não precisam ser especialistas para entenderem. Mayim aborda assuntos como as mudanças no corpo e as diferenças entre meninas e meninos, mas de forma que a leitora vá além dos estereótipos sociais, aprenda a se conhecer de fato e preserve sua saúde física e mental, livrando-se das cobranças desnecessárias.

Quando vejo TV, vou ao cinema ou dou uma olhada nas redes sociais, vejo um monte de coisas espetaculares e gente super feliz. Vejo pessoas com famílias sorridentes, animais de estimação adoráveis, casas bonitas, amigos presentes, relacionamentos amorosos e o que frequentemente parecem vidas perfeitas. As coisas que as pessoas postam mostram um mundo de alegria e sucesso, mas nem sempre a vida é assim. Coisas ruins acontecem. Nós ficamos tristes. Surgem situações com as quais nós nem sempre sabemos como lidar. E às vezes pode parecer que, se a nossa vida não é como a vida dos outros, há algo de errado com a gente.

Sempre em tom didático, a autora conscientiza as meninas sobre como é essencial ter uma alimentação saudável, levando em consideração a importância do momento das refeições, a questão do consumo de água, a necessidade da prática de exercícios físicos e outros hábitos saudáveis, sob um viés natural, de forma a romper os padrões que a sociedade impõe para o corpo “perfeito”.

Mayim explica ainda todos os dilemas da puberdade do ponto de vista da neurociência, o que facilita a compreensão e identificação. A autora fala até mesmo dos sintomas físicos da paixão, o que muda no comportamento, os hormônios e os métodos contraceptivos para evitar gravidez precoce e doenças.

A neurocientista aborda também os aspectos pessoais que podem ajudar as meninas a serem fortes para enfrentar as dificuldades da vida. Através de exemplos de pessoas reais que contribuem para a construção de um mundo melhor, Mayim estimula as leitoras a fazerem a diferença.
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O que o feminismo tem a dizer sobre os rumos da economia atual?


Considerado o Freakonomics feminista, o livro O lado invisível da economia, lançamento da Editora Alaúde, questiona o modelo masculino do pensamento econômico. Nele, a jornalista econômica sueca Katrine Marçal explica como as bases teóricas da economia ignoram a mulher, cujo papel era cuidar do lar. Séculos depois, essa mesma lógica continua excluindo a mulher, que precisa fazer jornada dupla ao gerir carreira e família. Com linguagem envolvente e perspicaz, e recheada de dados, a autora explica o funcionamento do mercado baseado na figura do homem econômico e defende que a única solução para uma sociedade mais igualitária é um pensamento econômico mais feminista.

Para provar seu ponto, a jornalista parte de uma pergunta levantada por Adam Smith, pai da economia moderna: “Como você consegue o seu jantar?”. Ao afirmar que é o interesse pessoal do açougueiro – sua vontade de lucrar – que faz a carne chegar à mesa, Smith se esquece de uma peça-chave na trajetória de seu jantar: era sua mãe que fritava o bife. 

Segundo Katrine, o mercado é na verdade construído sobre uma economia invisível, já que as mulheres não começaram a trabalhar apenas em meados do século passado, elas só mudaram de emprego. 

E “se quisermos um retrato completo da economia, não podemos ignorar o que metade da população faz durante metade do tempo” afirma Katrine. A autora ainda levanta dados como os da agência de estatísticas nacionais do Canadá, que descobriu que o valor do trabalho não remunerado no país variava de 30,6 a 41,4% do PIB (dependendo da forma de medição).

Mas o livro não explora apenas o problema da mão de obra feminina, mas as bases sobre as quais a economia como ciência foi fundada e o que o feminismo pode fazer para transformá-la. Se as mulheres tivessem tido a oportunidade de participar mais ativamente do desenvolvimento dos modelos econômicos, a figura do “homem econômico” poderia ser bem diferente, e, para a autora, isso explica por que a economia atual funciona muito mais para os ricos do que para os pobres, e muito mais para os homens do que para as mulheres. 

Provocativamente feminista, a obra explora desde o estabelecimento da economia como ciência até a mais recente crise financeira mundial para defender a necessidade de uma nova abordagem para os problemas econômicos mundiais.

O lado invisível da economia já foi traduzido para mais de 15 idiomas. Foi um dos nomeados para o August Prize em 2012 e em 2013 ganhou o Lagercrantzen Award por seu “estilo provocador e pessoal, que desafia e seduz o leitor com a ousadia e segurança de seu domínio intelectual”.
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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Conheça o livro 'A história do futuro de Glory O’Brien'


O fim do ensino médio é uma época de possibilidades infinitas – mas não para Glory O’Brien, uma jovem norte-americana que não tem nenhum plano para o futuro. Sua mãe cometeu suicídio quando Glory tinha apenas 4 anos, e ela nunca parou de se perguntar se seguiria o mesmo caminho… Até que numa noite transformadora ela começa a experimentar um novo e surpreendente poder que lhe permite enxergar o passado e o futuro das pessoas.


De antepassados a muitas gerações futuras, a jovem é bombardeada com visões – e o que ela vê pela frente é aterrorizante: um novo líder tirânico toma o poder e levanta um exército. Os direitos das mulheres desaparecem. Uma violenta segunda guerra civil explode. Jovens garotas somem diariamente, vendidas ou confinadas em campos de concentração.

“Então nós duas bebemos. Ellie bebeu primeiro e agiu como se o gosto fosse bom. Eu bebi logo depois. E nem era tão ruim.Quando acordamos na manhã seguinte, o mundo estava diferente. Nós podíamos ver o futuro. Podíamos ver o passado. Podíamos ver tudo.”

Sem saber o que fazer, Glory decide registrar todas as suas visões, na esperança de que a sua História do Futuro sirva de alerta e evite o que vem por aí.

Mas será que as pessoas vão acreditar nela? Será que estarão dispostas a fazer o que é necessário para impedir a concretização daquele destino medonho?

Nesta obra-prima sobre feminismo, liberdade e escolhas, A. S. King mais uma vez nos brinda com seu realismo fantástico para contar a história de uma garota que tenta lidar com uma perda devastadora.
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domingo, 26 de março de 2017

Lugar de mulher é onde ela quiser


A jornalista e consultora financeira Patricia Lages responde a uma questão delicada: é possível conciliar a carreira e os relacionamentos afetivos. Segundo a autora de diversos livros sobre finanças – seu último lançamento é a obra Lugar de mulher é onde ela quiser – é possível, sim, manter uma relação saudável com o parceiro e ainda incentivar a carreira e o negócio.

“Construir uma carreira, empreender e buscar o crescimento econômico não é um caminho que só as solteiras podem trilhar, ao contrário, quando você tem uma pessoa ao seu lado, lutando pelos mesmos ideais, sua força de trabalho dobra.”, revela ela.

Para a consultora, o que realmente importa é ter uma pessoa de mente aberta, que não se sinta intimidado com o trabalho da mulher, e também um equilíbrio de tempo, da parte de ambos, entre relacionamento e trabalho. 

“É perfeitamente possível ter um casamento feliz e ser bem-sucedida, mas como em todo e qualquer projeto em que se deseja crescer e vencer é necessário ter um bom planejamento, uma execução precisa e análise periódica dos métodos e resultados. Casamento dá trabalho, mas quem disse que uma mulher empreendedora tem medo de trabalhar?”.

Sobre a obra: Baseando-se em estudos e pesquisas, mas com um texto bem-humorado e envolvente, a autora Patricia Lages cria um verdadeiro manual sobre empreendedorismo na obra Lugar de mulher é onde ela quiser, descomplicando o tema e estimulando as leitoras a promover uma transformação na carreira profissional. Falando das dificuldades da mulher no mercado de trabalho, imposições estabelecidas pela sociedade e empoderamento feminino, Patricia desvenda os segredos do mundo corporativo, dá dicas valiosas sobre empreendedorismo e mostra que a mulher quer mais do que trabalhar: ela deseja ter a liberdade de conquistar o seu espaço. Não o lugar onde dizem que ela deve estar, mas aquele em que ela escolheu estar.
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Escritoras exaltam o poder feminino na literatura


As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, como, por exemplo, na política, na economia, nos esportes e, principalmente, na literatura. As talentosas Cora Coralina, Clarisse Lispector, Adélia Prado, Rachel de Queiroz, entre tantas outras, ficariam orgulhosas com a nova safra de escritoras que estão surgindo no mercado editorial.

Rita de Queiroz é uma delas. Com o intuito de assegurar um lugar ao sol no cenário literário, ela organizou a “Confraria Poética Feminina”. Publicado pela editora Penalux, o livro é uma coletânea de poemas escritos exclusivamente por mulheres baianas. “O objetivo é, sobretudo, promover o encontro entre as poetas e transpor a voz feminina e nordestina, principalmente baiana, através da poesia desta reunião”, diz Rita.

- As mulheres durante muito tempo foram censuradas, ignoradas e esquecidas. A obra visa dar oportunidade para que esta voz se espalhe, dissemine, seja, afinal, ouvida - reforça.

Outra nova autora que pretende reforçar o time feminino na literatura é a escritora Marianne Galvão, de 25 anos. Natural de Acari (RN), ela está lançando o livro de poesias inéditas “Tempo do Tempo: as estações do coração”. A proposta é falar de diversos assuntos indo do amor romântico entre duas pessoas e o amor próprio até pensamentos soltos sobre o cotidiano.

Marianne diz que todo o seu trabalho é inspirado nos sorrisos e nos momentos felizes da vida. Ela deseja, por meio da sua obra, ajudar a melhorar o dia de alguém com a poesia. “Eu sei que boas palavras melhoram nossa mente e até nosso semblante, mesmo que indiretamente”.

Já a escritora Letícia Palmeira segue um viés mais explosivo e irônico sobre a vida no livro “A obscena necessidade do verbo”. Diante de um título sugestivo, a autora promove a apologia máxima à comunicação, à expressão e à literatura como algo fundamental ao ser humano.

Por meio de um fluxo constante de conversas com sua consciência, a qual ela chama de Lucélia, Letícia usa a obra para transmitir que todos nós precisamos nos expressar a fim de expurgarmos o que é tóxico para, assim, podermos nos apropriar do que nos faz bem.

Ela ainda mostra a importância da presença do “outro” em nossas vidas. Como o próprio livro explica, “pois, somente através do outro eu provo o quanto existo”.

Não importa o gênero literário, uma antologia, um livro de poemas ou uma novela, as mulheres merecem destaque na literatura. Que possamos ouvir mais as vozes e os anseios femininos para, dessa forma, podermos pensar numa sociedade mais justa e igualitária.
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